segunda-feira, agosto 31, 2009

O modelo de prestação dos Cuidados de Saúde Primários deve ser baseado na Enfermagem?


"Should primary care be Nurse led?" link

O National Primary Care Research and Development Centre (Reino Unido) afirma: YES! link (Pág. 1)

Os Médicos, obviamente, acham que... NO! link (Pág. 2)

Isto é novidade?


"Hospitais-empresa com prejuízo de 91,1 milhões" link

Por lá predominam as ideias (de poupança?) férteis provenientes de Administradores ilusionistas. Andar a transferir dinheiros de rubrica em rubrica não dá resultado. Os salários milionários que por lá se pagam também não. E para cúmulo final, a pouca poupança conseguida, é encetada nos pontos estratégicos... errados.

"Nurses: key to success of modern hospitals" (BMJ)


"Nurses are the key to restoring public confidence in UK hospital care, argues an expert in this week's British Medical Journal.
Nurses led the transformation of hospitals in the 19th century. So, why after a century of outstanding success, is the future of (...) hospitals in question?
" link

"The 19th century teaches us that nurses must be central to the running of all aspects of hospitals, not just those areas deemed appropriate by the medical profession.
This will require improved leadership and enhanced opportunities for nurses.
" link

"Nurse-Led Medical Emergency Teams: A Recipe for Success in Community Hospitals"


"Nurses can lead MET responses. Special tools may be necessary to make them most effective, including communication pathways, treatment protocols, specialized training in crisis response skills, physician chain of command documentation, and post-event debriefing of involved staff to improve patient care.

The outcomes of nurse-led MET programs and physician-led MET programs are similar, and no hospital should refuse to implement METs simply because no physician is available to respond. Indeed, nursing brings a unique perspective to the leadership role in a MET process. Experience, instinct, determination, and a spirit of collaboration with the nurse at the bedside are attributes that can sustain a MET process and over time can change the environment of the facility." link

Gestão por Enfermeiros.


"Gordon Brown [Primeiro Ministro Inglês] has paid a visit to Leatherhead Community hospital, the first hospital to be run by nurses"

Nurse-led triage in general practice


"A general practice in Doncaster has developed a nurse-led focus with such commitment that the nurse team at the practice now manage three-quarters of patient care.
The practice first started developing nurse-led services six years ago. Becoming a pilot for the personal medical services contract allowed the practice to think creatively about developing the role and responsibility of the nurse.
" link

80's. Saudades...


domingo, agosto 30, 2009

Bom dia, domingo...


sexta-feira, agosto 28, 2009

A "experiência" é um factor válido?


"Os Enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com duplo vínculo à Linha Saúde 24 podem ter que interromper o serviço público no hospital e trabalhar a tempo inteiro no call center, em caso de pandemia provocada pela gripe A. Essa transferência pode vir a desfalcar os recursos humanos nos hospitais e centros de saúde e a comprometer a assistência clínica"

"Francisco George explicou que o pagamento aos enfermeiros com duplo vinculo à Linha e ao SNS é "acordado de forma tripartida entre o enfermeiro, a Linha Saúde 24 e o hospital. A unidade de origem e o SNS não têm nenhuma responsabilidade financeira, pois não é um destacamento é um acordo tripartido que vai permitir que o Enfermeiro vá trabalhar a tempo inteiro na Linha e interromper o serviço público no hospital"."

"Ordenados
O hospital ou centro de saúde é ressarcido pela Linha de Cuidados de Saúde da totalidade da remuneração a pagar mensalmente ao Enfermeiro recrutado, que se mantém no quadro da instituição de origem a receber o ordenado.
Regresso

O acordo, entre o hospital, a Linha Saúde 24 e o Enfermeiro, prevê que a instituição de origem possa a qualquer momento e dado o afluxo e escassez de recursos, cessar o acordo temporário e pedir o regresso imediato do seu enfermeiro.
Profissionais
O reforço dos Enfermeiros será feito no call center de Lisboa e do Porto e não na nova estrutura que está a ser montada em Coimbra, a qual será composta por Enfermeiros com menos de cinco anos de experiência profissional.
" link

No final desta notícia, veiculada pelo Correio da Manhã, leio o comentário de uma ilustre senhora: "Que parvoíce! Com tantos enfermeiros desempregados que há! O que falta são postos de trabalho."

Todos nós já fomos recém-formados e conhecemos a realidade. Quer queiramos, quer não, a inexperiência que, necessariamente, caracteriza um Enfermeiro que termina o seu curso, é critério de inclusão/exclusão em determinadas actividades.

A "experiência" é um indicador qualitativo válido (por inúmeros motivos que dispensam a sua referência por serem tão obvios e comprovados por uma miríade de investigações). Muitos colegas que chegam agora à profissão, revoltam-se contra os critérios de alguns concursos por estes definirem experiência mínima - a necessidade de regras de inclusão é fulcral e primária (vou-me abster de contar aqui algumas histórias - de final infeliz - que comprovam esta afirmação).

Na melhor das hipóteses, os Enfermeiros recém-formados poderiam suprimir a lacuna secundária à diminuição de profissionais de Enfermagem que, por sua vez, foram canalizados para a S24.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao pré-hospitalar. Supondo que serão disponibilizadas vagas de Enfermagem (num cenário futuro de implementação da figura do Enfermeiro Emergencista) numa perspectiva de alargamento e melhor dotação da rede nacional de socorro, essas vagas teriam de ser - a meu ver - ocupadas por Enfermeiros experientes, provenientes de Serviços de Urgências, Bloco Operatório, Cuidados Intensivos, etc e com formação compatível (a ser complementada). Como consequência desta migração, os lugares em falta nas respectivas instituições de origem, seriam ocupados por Enfermeiros com menos experiência.

Todo este processo seria progressivo e etápico, de modo a que a adaptação e transferência de experiências fosse possível entre os elementos que abandonam as instituições e que os chegam.
Correndo o risco da subjectividade e incompreensão, penso que será justo dizer que existem especialidades/serviços/funções mais adequadas para recém-formados do que outros.

"Troca tintas"...

Não faltam "vira-casacas" no panorama político nacional. No que concerne ao sector da Saúde, temos inequivocamente dois "troca tintas" de peso: os deputados Teresa Caeiro (deixar mensagem de desagrado aqui) e Hélder Amaral - CDS-PP. "Coerência" é um conceito que não consta dos dicionários destes dois.

Há vários meses atrás... era conta a criação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (Paramédicos) e a favor da posição dos Enfermeiros.


Agora... é contra os Enfermeiros e a favor da criação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (Paramédicos).





quinta-feira, agosto 27, 2009

Tugaquistão...

"A Ordem dos Médicos (OM) escreveu à ministra da Saúde, Ana Jorge, para intervir junto da administração do Hospital Garcia de Orta (HGO), Almada, no sentido de informá-la de matérias acordadas entre os sindicatos e o Governo quanto à avaliação de desempenho dos médicos, que deve ser "feita inter-pares e nunca debaixo da subordinação de qualquer outro grupo profissional".
A iniciativa segue-se à entrega de forma avulsa a todos os médicos daquele hospital de uma carta sem data, apesar de fixar um prazo de resposta, e assinada pelo Enfermeiro Director, João Santos, como presidente da Comissão de Avaliação do HGO.
" link
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Convictamente afirmo: se o Presidente da Comissão de Avaliação fosse um electricista, estafeta ou maqueiro, não havia qualquer problema. Mas um Enfermeiro... é que não. É uma fobia, um medo irracional tipicamente português. Se viajarmos um pouco pelo mundo encontramos algo perfeitamente banal noutras paragens: Enfermeiros como Directores de Hospitais, Clínicas e/ou Departamentos, como Ministros da Saúde, como decisores políticos, como Estrategas do Sistema de Saúde, Avaliadores, Auditores, etc.
Até temos, em Portugal, um Enfermeiro que é Director Clínico em gestão administrativa (deixo a pista para os mais curiosos...), não obstante das constantes birras instauradas pelos Médicos...
Mais uma vez a OM enfia o numa poça que não é da sua torneira. Quando o tema é dinheiro ou notoridade, o Nunes está lá. Para já os dedos ainda não são mais do que os furos do balde, para já...

quarta-feira, agosto 26, 2009

Hoje sinto-me...


Mudam os tempos, mudam os paradigmas?

Margarida de Barros disse...

"Aprendemos durante os CLE e antes deles , um sem número de modelos teóricos, vulgo paradigmas, que tem servido de fundamento à Enfermagem .
Se entendermos, em sentido lato, por paradigma o conjunto de princípios filosóficos, éticos e científicos que fundamentam uma profissão, entender-se-á que o paradigma não é, nem jamais poderá ser estanque e que está sujeito a alterações e mesmo a uma reformulação total.

Os vários paradigmas que têm enformado a profissão de Enfermagem necessitam não de alteração mas de uma reformulação global, tendo em conta os factores de mudança das sociedades e das mentalidades que urge acompanhar. É preciso repensar a Enfermagem…
Não se pode ficar refém do que serviu há 30 ou 20 anos , nem parar no tempo, pois a implementação de novas teorias, de novos princípios, que resultam de novas exigências, determinam a mudança.
Um paradigma só é válido enquanto serve os objectivos máximos preconizados para a época na qual se aplicaram. Nada é permanente em ciência por isso muito pouco está consolidado na Enfermagem, resultando tal na permanente dúvida do nosso papel social.

Um paradigma só é considerado consistentemente como modelo científico, enquanto não for contestado. A partir do momento em que surge uma nova tendência paradigmática, é sinal que está a surgir um novo padrão científico que é necessário explorar e implementar.
É bem verdade que a “ tradição já não é o que era “ e a Enfermagem deixou o vínculo à tradição do facilitismo e da acomodação.

As teorias, que considero clássicas, e que se prestaram na perfeição aos modelos fundamentais nos quais se tem baseado a Enfermagem, estão quase moribundos, porque não acompanham a época da pós-modernidade. Contestável?… Porque não?
Mas não é fácil abandonar modelos conceptuais, nem criar ou aderir a novos padrões científicos, porque tal implica um esforço conjugado e concertado ao nível da sua implementação pelos vários actores sociais, quer se trate de docentes, de discentes ou de enfermeiros no exercício, nesta arena repleta de dificuldades .

Significa alterar, em grande parte, os fundamentos da Enfermagem, os modos da aplicação do conhecimento; significa um novo conhecimento que, embora possa carregar as normas válidas de um passado, tem de recriar as bases da sustentação científica do futuro.
Este trabalho monumental passa por fases diversas que são exigidas num pensar crítico-analítico-científico em tempo útil, que não se compadece com filosofismos amorfos nem com teorias abatíveis no primeiro round.

A produção científica de conhecimento passa pela negação do pré-concebido e pela construção da conquista. Já Bachelard dizia "em ciência nada é dado, tudo é conquistado". Habituamo-nos a importar alguns modelos que configuram uma inoportunidade e uma precariedade no conhecimento , que se esboroam face às necessidades prementes da época em que vivemos. Não podemos continuar a produzir o inaplicável, mas temos a obrigação de construir algo que perdure até não ser mais produtivo nas concepções , nas realizações e nos resultados.
A conformidade à norma adoptada só é válida se indubitavelmente não surgirem novas complexidades, contingências e conflitos. A estabilidade é falácia face às mutações sociais, políticas e económicas que se repercutem na instabilidade do ser humano. O equilíbrio dos sistemas não passa de teoria académica forçada , que vem sendo abandonada como o foram as teorias mecanicistas, o organicismo, o funcionalismo, o próprio estruturalismo e o determinismo.

Vivemos na época do caos cíclico, da dúvida permanente, da incerteza. A complexidade do ser humano e das condições de vida não permitem padronizações estanques nem o comprometimento da dinâmica das sociedades. Por isso os paradigmas têm de acompanhar essa mutabilidade dinâmica, a complexidade, as contingências várias, a conflitualidade e os resultados de toda esta amálgama.

A Enfermagem tem de assumir esse dinamismo que regrediu face a padronizações obsoletas, que não servem para quase nada, a não ser prestarem-se como arma a modelos de gestão caducos, falhos de pensamento estratégico .

Quando a Enfermagem assumir a complexidade, a dinâmica reflexiva, os fenómenos contingenciais, a conflitualidade;
Quando a Enfermagem questionar tudo, pondo em causa a tradição, reflectir sobre os porquês deste ou daquele fenómeno, se interrogar sobre o que faz ou deveria fazer, como faz, porque o faz, e tudo isso for realizado ao nível do ensino, da investigação e do exercício profissional;
Quando a Enfermagem não tiver medo de se assumir como profissão autónoma de qualquer jugo, mesmo que camuflado de complementaridade;
Quando não for possível saber como dominar os Enfermeiros, porque o modus operandi é complexo demais para ser controlável e imitável, nesse dia a Enfermagem reconquistará a identidade perdida ou ainda não encontrada, partilhando entre os seus membros os valores que fazem com que um corpo disperso se transforme numa comunidade consistente e coesa mas aberta ao futuro.
"

terça-feira, agosto 25, 2009

Casa roubada, trancas à porta?


"Aos 350 enfermeiros responsáveis pelo atendimento dos cidadãos com questões sobre a Gripe A H1N1 e aos restantes 75 dedicados à saúde pública em geral, os gestores da Linha Saúde 24 querem somar outros 420 profissionais, que deverão ser destacados para um novo centro de atendimento a abrir em Coimbra.
"Muito possivelmente, vamos ter um centro de atendimento de retaguarda na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, onde vão estar enfermeiros a fazerem uma triagem dirigida para as pessoas que estão afectadas pela Gripe A. Serão cerca de 420 enfermeiros que trabalharão nesse centro", adiantou à RTP o administrador da Linha Saúde 24, Artur Martins.
"

(...)

"Artur Martins prevê que até ao final da semana os primeiros 100 enfermeiros comecem a trabalhar em regime de exclusividade no novo centro de atendimento. Outros 120 encontram-se agora em processo de formação. O objectivo é garantir que, em meados de Setembro, a Linha Saúde 24 tenha mais do dobro dos actuais enfermeiros a atender um número análogo de chamadas diárias."

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Só não posso concordar é com a "exclusividade". O que é isso? Requisição profissional à instituição de origem? Se não, que diferencial remuneratório existe (?) ou é simplesmente mais uma exploração desenfreada de mão-de-obra vinda do desemprego, por valores não consentâneos com a função?
Sempre defendi que existem que existem postos laborais que não deveriam ser em regime full-time (provavelmente sinónimo da "exclusividade" acima referida). Seja pelos valores retributivos envolvidos, pela desmotivação/desinteresse inerente à prestação de um serviço apenas (que diminua a perspectiva de desenvolvimento e, consequentemente, minimize a fasquia da ambição profissional) e pela empobrecimento progressivo da bagagem científica, técnica e humana.

domingo, agosto 23, 2009

(Des)Cuidar?


"Os (...) Enfermeiros (...) "talvez se tenham apercebido que o desenvolvimento profissional, segundo uma perspectiva psicossocial, pode estar na origem de uma diminuição acentuada de competências de carácter técnico-científico, as quais seriam posteriormente conquistadas pelos sector profissionais adjacentes (a montante ou a jusante)."

- Abreu, Wilson (2001) -
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Estas linhas foram escritas há quase 10 anos e têm o desplante de estarem actualizadíssimas.

Apoio de Enfermagem nas praias!

A iniciativa “Enfermeiro - apoio de praia” da ARS Algarve é um caso de sucesso. Transmite a imagem de que o Enfermeiro é um profissional útil, competente, autónomo, que dá resposta às necessidades de saúde dos cidadãos.
Nas praias algarvias, existem postos onde está içada uma bandeira com o símbolo que está representado na imagem ao lado. Significa a presença de um Enfermeiro, ao qual é requerida autonomia (incluíndo no âmbito farmacológico). É assim que os Enfermeiros se fazem equivaler a um profissional válido e independente de outras categorias profissionais na resposta atempada e eficaz às necessidade dos cidadãos. Sem o recurso a material clínico (kit de sutura por exemplo) e farmacológico, o Enfermeiro (com boa vontade e mãos a abanar) executaria pouco mais do que um vulgar socorrista.

Mais uma prova de que cuidar implica, também e cada vez mais, meios farmacológicos e clínicos (suturas, por exemplo) – é uma mais valia para a profissão!

A localização dos apoios de saúde nas praias foi feita com base em critérios de acessibilidade, condições naturais e meio ambiente, bem como a análise de indicadores de risco (tipo de atendimentos efectuados, número de evacuações para as unidades de saúde, tratamentos e suturas, picadas e mordeduras).

sexta-feira, agosto 21, 2009

Prescrever ou não prescrever?

Concorda com a prescrição farmacológica por Enfermeiros? (Prescrição por diagnóstico de Enfermagem, feita por Enfermeiros Especialistas (e outros Enfermeiros com formação suplementar, experiência mínima e certificação da competência), após formação adequada e com um leque de fármacos indicados para a prática da Enfermagem)
Sim
Não
Não tenho opinião
promise rings


Está a decorrer no Forum Enfermagem um debate interessantíssimo (acompanhado de votação): Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapêutica)? (Clicar aqui para ver o exemplo dos Enfermeiros espanhóis)

Na minha perspectiva a resposta é bastante óbvia: sim!
Muitos colegas ainda não interpretaram bem esta necessidade evolutiva. Uma porção considerável da nossa classe, quando pensa no acto de prescrever (a maioria de vós até já o faz, ainda que de forma ilegal e circunstancial), personifica-o na figura do Médico e no respectivo diagnóstico. Eu não concordo. A prescrição por Enfermeiros (com a devida adequação dos planos estudos, ressalvo) deve ser entendida como uma competência que visa munir os Enfermeiros de armas farmacológicas que lhes permitam actuar eficaz e eficientemente perante um diagnóstico de Enfermagem. Tenho reparado que o equívoco consubstancia-se aqui: quando se fala em prescrição, falamos em prescrição direccionada paras as necessidades dos utentes e da profissão! (ex1. alguém com o padrão de eliminação intestinal alterado, ter a possibilidade de prescrever obstipantes/laxantes!; ex2. alguém com queixas álgicas, prescrever analgésicos; ex3. alguém com manifestação alérgica simples, prescrever anti-histamínicos; etc...). Os actuais SOS's deixados prescritos pelo Médico para que o Enfermeiros possa ter margem de manobra, não são mais de que uma fase pré-prescritora! Mediante o contexto, o Enfermeiro elege o SOS mais adequado. No fundo é uma prescrição pelo Enfermeiro de um conjunto de fármacos que o Médico deixa ao seu dispor. Mas, digo eu, os Enfermeiros devem ter autonomia para os eleger sem que os outros deixem escrito! Ainda precisamos de indicações? Muitos Enfermeiros até dizem ao Médico (para se abrigarem no escudo da legalidade): deixe isto e aquilo em SOS no caso de eu necessitar... Qual é o problema de ver isto assumido de forma autónoma?
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Ao prescrever não cuidaremos melhor? Afirmar que "prescrever é incompatível com o cuidar", é uma terrível demonstração da mais pura ignorância!
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Esta nova competência acarretaria mais responsabilidades para os Enfermeiros e, paradoxalmente, delimitaria melhor as responsabilidades/competências dos vários profissionais que compõem a equipa multidisciplinar (na dúvida relativa à prescrição de determinado fármaco, por suspeita de determinada situação e necessidade de estudo, o caso passaria a ser do foro médico)!

Por outro lado, o leque de fármacos disponíveis para prescrição por Enfermeiro seria apenas de algumas dezenas (os adequados e necessários à prática de Enfermagem). Reafirmo a necessidade em adequar a formação dos Enfermeiros ao novo contexto. Inicialmente (estudar possibilidade de alargamento à posteriori, mediante critérios) a prescrição seria apenas do âmbito dos Enfermeiros Especialistas (seria mais uma competência para os diferenciar dos Generalistas e assim aferir melhor a sua mais-valia) e outros Enfermeiros com formação suplementar, experiência mínima e certificação da competência.

Não faz sentido a uma profissão que deseja ter o mesmo nível de autonomia e dignidade que as suas congéneres, dependa de outros profissionais para validar a continuidade de cuidados. De que vale aos Enfermeiros organizar congressos, simpósios e formações para sensibilizar os seus pares para a temática da dor (valorizar, avaliar, monitorizar, etc...), se depois, dependemos do médico para a respectiva analgesia farmacológica (por exemplo!). Como sabemos as terapêuticas não farmacológicas contra a dor, são limitadíssimas na sua acção. De que serve aos Enfermeiros tudo isto se o médico disser que não? A "dor", por exemplo, poderia ser um magnífico campo de actuação para a Enfermagem se munida dos meios de intervenção eficazes, entre eles a analgesia farmacológica.

Os argumentos filosóficos que muitos teimam utilizar para esgrimir contra esta possibilidade, fazem pouco sentido no séc. XXI. A Enfermagem não se deseja estática. Urge ser dinâmica, fluída, que responda solida e estruturadamente às necessidades dos utentes, aos problemas com que se depara e à crescente complexidade do sector.
Se ao médico cabe tratar a patologia, ao Enfermeiro cabe cuidar da pessoa. Há muitos anos atrás, o cuidar talvez não implicasse a dinâmica farmacológica. Hoje implica. Não se cuida apenas da parte sentimental/relacional/psicológica de alguém! Cuidar como um todo implica, também, cuidar da dimensão bioquímica, fisiológica, funcional, etc... Deslindar a etiologia, os fenómenos patogénicos, etc, isso, o médico faz! Nós - os profissionais de Enfermagem - cuidamos: atenuamos a dor, a agonia, a sensação de mal-estar, os vómitos, as náuseas, a inflamação, a desidratação, obstipação, a insónia, a dificuldade em ventilar, a incapacidade de coping, etc... notem, todos estes aspectos são inerente às Necessidades Humanas Básicas! Até a imagiologia deve estar dentro da esfera da Enfermagem. O utente tem gonalgias? Enfermeiro requisita raio-x. É uma inflamação traumática ocasional? São artroses? Faz ensinos, explica, prescreve anti-inflamatórios, relaxantes, repouso, crioterapia, etc e envia para o Enfermeiro de Reabilitação. Suspeita-se de algo mais? Patologia que necessita de estudo? Vai ao médico, claro. Outro exemplo: o utente tem queixas inespecíficas. O Enfermeiro requisita análises. Alterações simples são do foro da Enfermagem (desidratação, expoliação de electrólitos por diarreias, vómitos, etc), se necessita de estudo é enviado ao Médico - "o Sr. tem anemia. Vou enviá-lo para Médico para esclarecer a situação" (tudo isto implica uma necessária alteração na formação dos Enfermeiros!). O utente fica com a consciência que o Enfermeiro cuidou dele. Escutou-o, interessou-se, investigou, dialogou e enviou-o ao médico quando achou necessário e imprenscindível. A sociedade passará a valorizar o Enfermeiro como profissional de proximidade, a que se deve recorrer sempre que necessário! Tão simples que é (se pensarmos que o caminho não deve ser este, há-de surgir um técnico qualquer que palmilhe o caminho). O Sistema de Saúde torna-se-à descentralizado, com mais capacidade de resposta e moldabilidade, com profissionais mais satisfeitos e motivados.

Há outro ponto que merece ser abordado. A radical oposição de alguns Professores de Enfermagem no que concerne a esta questão. Os opositores são, na esmagadora maioria, velhos do restelo (versão pós-moderna), porque... convém.
É como tentássemos fazer compreender a um produtor de batatas que o arroz também um alimento útil de necessário. Até compreendem, mas alegam filosofias que, falaciosamente, se prendem com a identidade da Enfermagem. Estão em jogo interesses, nem vale a pena explicar quais ou porquê. Até Virgínia Henderson afirmou que "a definição de enfermagem não é para toda a vida. Creio que a enfermagem é modificada pela época em que é praticada e depende, em grande parte, do que fazem os outros profissionais de saúde". Prescrever é uma necessidade para o exercício autónomo!

Segundo o International Council of Nurses (ICN), na globalidade, em todo o mundo: "Nurses favor expanding their health care responsibilities, including the authority to prescribe medicines to patients"! link

Um estudo internacional (Maio, 2009), o Global Survey of Nurses (Nurses in Workplace: expectations and needs) - realizado pelo ICN -revela que a "falta de autonomia" é um dos factores mais desmotivantes da profissão. Como tal, a maioria dos Enfermeiros (incluindo Portugal) apoia a prescrição pela classe de Enfermagem!

A Enfermagem, caso não tenham reparado, mudou (e muito!) nos últimos 60 anos! Se os Enfermeiros de então tivessem agarrados a paradigmas desse tempo, hoje nenhum de nós faria o que faz! Actualmente imensos Enfermeiros formadores, nas mais diversas áreas, formam outros profissionais (Médicos incluídos), colaborando no processo de aprendizagem onde o domínio farmacológico está presente! Não precisamos de pensar muito para encontrar um exemplo: no pré-hospitalar, por exemplo, o Enfermeiro formador lecciona aos Médicos/Enfermeiros todos os aspectos relacionados com a intervenção farmacológica (por ex. no Suporte Avançado de Vida) nos diferentes cenários. Por mais paradoxal que possa soar (reflecte a inversão do sistema), os Enfermeiros ensinam, e depois, em contexto prático, não estão legalmente habilitados a prescrever a medicação que ensinaram a prescrever! Confuso e desconcertante!

Li o comentário de um colega que dizia: "E o paracetamol e o brufen da praxe qualquer utente vai à farmácia e compra sem precisar de nós". Boa perspectiva? - pergunto eu!

Dizemos então ao utente: se tiver dúvidas com medicação a tomar, que vá à Farmácia. Se tiver lombalgias, vá ao Fisioterapeuta. Se tiver uma unha incarnada, vá ao Podologista. Se quer uma saber porque é que precisa de determinado exame de diagnóstico, vá ao Médico. Se quer saber o que pode comer, vá ao Nutricionista. Se quer fazer um ECG, vá ao Técnico de Cardiopneumologia. Se tem uma ferida, vá buscar uma guia ao Médico.
E o Enfermeiro? A lógica diz que, os utentes, progressivamente, deixaram de recorrer aos Enfermeiros e deixarão de perspectivar a sua utilidade. Voltaremos ao estereótipo "pensos e injecções"...

Outro colega opinava assim: "discordo completamente em os Enfermeiros prescreverem medicação. Isso não passa por os Enfermeiros quererem tornar-se uns médicos pequeninos...!"
Para este colega tenho um recado: prezado colega, não algalie, não vá ser confundido com um mini-urologista. Não proceda a intubações naso-gástricas, não vá ser confundido com um mini-gastroenterologista. Não puncione, não vá ser confundido com um mini-internista. Não colha sangue, não vá ser confundido com um mini-hematologista. Não olhe para os monitores cardíacos, não vá ser confundido com um mini-cardiologista. Nem sequer ouse pegar num urinol, não vá ser confundido com um mini-AAM. Esqueça o diálogo e as intervenções relacionais, não vá ser confundido com um mini-psicólogo.
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Quem não compreende isto (dotar os Enfermeiros de competências de prescrição farmacológica), não pode compreender o que é a Enfermagem!
Imensos países já adoptaram esta prática e os estudos realizados até agora revelam sucesso (e a satisfação dos utentes)! (Há, inclusivamente, directivas europeias que permitem a certos Enfermeiros Especialistas (EESMO) requer exames complementares de diagnóstico, por exemplo. Portugal, incompreensivelmente, está apático, ou melhor, os Enfermeiros portugueses...)
O Netherlands Institute for Health Services Research (Holanda) tem um lema: "A pill from the nurse is just as safe as a pill from the doctor*" link
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* Tradução: Um fármaco prescrito por um Enfermeiro é tão seguro como um prescrito por um médico.

quinta-feira, agosto 20, 2009

OE e os problemas da Linha S24.

Gostei muito de ouvir a intervenção (postura, presença e objectividade) do Enf. Jacinto Oliveira no que respeita aos recentes problemas que avassalam a S24.
Há um outro aspecto a ressalvar e reconhecer: a visibilidade da Ordem dos Enfermeiros é progressivamente superior. Ao contrário do passado recente, cada vez que a OE toma uma posição e emite uma press release, o seu reflexo nos meios de comunicação social é mais substancial. Ganham os utentes, os Enfermeiros e a Enfermagem!

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Entretanto...

"Linha Saúde 24: Enfermeiros recrutados" link

"A Direcção-Geral da Saúde está a recrutar Enfermeiros para reforçarem o atendimento sobre a gripe A na Linha Saúde 24, em regime de turnos e com possibilidade de admissão imediata pela empresa Linha de Cuidados de Saúde, que gere linha."


S24


"Liguei para a Linha Saúde 24 e, ao contrário do que algumas pessoas me tinham dito, o serviço funcionou. Apesar de ter esperado oito minutos que me atendessem, fiquei supreendida com a atenção dos Enfermeiros com quem falei. Disseram-me tudo o que havia de fazer de fazer (...)"

- Leitora identificada da Revista Sábado -

Só por pensar...


"Foram os Enfermeiros que "descobriram" a relação de ajuda? Não me parece...
Os professores de Enfermagem (e não só...) é que se agarram a esse conceito por não terem mais nada para se agarrar, (e para ensinar, talvez...) por incompetência ou principalmente comodismo!!! Uma vez deixei uma Professora a gaguejar quando lhe pedi, em estágio, para demonstrar na prática a um determinado doente como se aplicava a relação de ajuda, ...ela não aplicou...ficou fula (...)! Passei à risca...só por ter pensado!!"

- Comentador anónimo -


Comentário pessoal

Parece mesmo que alguns Professores não gostam de pensar (ou de investir em ciência). Quando pensam fazem-no "pantanosamente" (como eu gosto de apelidar). Pensam, pensam, pensam e não nasce fruto algum! (Raras excepções, são brilhantes. Tenho o prazer de conhecer alguns)

Enquanto outras profissões contribuem diariamente com avanços técnicos, científicos e humanos para a sociedade, a Enfermagem portuguesa não tem contribuído com nada. Sim, a portuguesa, porque a norte-americana, por exemplo, marca pontos todos os dias e ao mais alto nível (estou a preparar um post bem ilustrativo)!

SANE...



"Vítima de violação aguarda doze horas por exame do Instituto de Medicina Legal" link


"xxxxx xxxxxxx (xxxxxxxxxxxxx@gmail.com)
Enviada: quarta-feira, 19 de agosto de 2009 12:24:47
Para:
doutorenfermeiro@hotmail.com

Boa tarde, antes de mais sou Enfermeira. Venho por este meio sugerir-lhe que olhe para esta noticia que nada tem de agradável para a vítima em questão...mas como sei que tem num dos links do seu blog, um link sobre Enfermagem Forense (não sou a autora mas uma pessoa interessada e ligada a área por paixão e com alguma formação na área forense)...queria lançar o mote: se este caso acontecesse nos Estados Unidos iria estar um SANE - Sexual Assault Nurse Examiner - pronto para poder ir fazer o exame à vítima sem tanta horinha de espera...

Espante-se que os altos mandatários da nossa tão querida Ordem, há algum tempo questionados sobre a necessidade de se criar este tipo de especialidade por cá, referem que a nossa realidade em nada se assemelha à dos norte americanos....que os Enfermeiros não tem nada a ver com isso...lamentavelmente estamos a ficar bastante parecidos com o pessoal do país do Tio Sam e não podemos dar a resposta devida...tanto nos ensinam o mão-na-mão e o apoio emocional...mas para ver que se houvesse Enfermeiros competentes especializados nestas áreas e realmente reconhecidos, esta rapariga de certeza que não teria sofrido os horrores que passou nos corredores das urgências do HSM...

Qualquer bom advogado do agressor pode ilibar esse individuo invalidando qualquer prova colhida, pois a vítima esteve tanto tempo em contacto com tantas pessoa que as provas podem estar todas contaminadas, ou até se podem ter perdido provas importantes ,porque a vida não é como no CSI...enfim...os velhos do restelo existem e são os nossos pares, pois honra seja feita ao Instituto Nacional de Medicina Legal que tem colaborado na realização de pós graduações nesta área (e não a pseudo pós-graduação de Leiria que tem 2 meses de duração e 14 horas lectivas de Enfermagem...).

Desculpe o atrevimento. Com os melhores cumprimentos".


Leitora/colega identificado, enviado por e-mail


Os meus cumprimentos ao Enf. Albino Gomes, que é um dos profissionais de Enfermagem que mais se dedica a estas questões em Portugal.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Clientes...


Incomoda-me o termo "cliente" quando associado à Saude. A etimologia nem sequer é controversa. O termo está intimamente relacionado com o comércio e ao contrário do que se pode pensar, com o subalternismo e dependência.

Tanto é "cliente" um indivíduo que recorre voluntariamente a uma qualquer Instituição de Saúde privada para um vulgar check-up, como alguém que, fruto do acaso, sofreu um grave acidente de viação e deu entrada em estado crítico num Serviço de Urgência? O primeiro talvez será, o segundo muito dificilmente.

Alguns teóricos desinspirados afirmaram que deveríamos tratar os utentes (eu prefiro assim) como "clientes". Se seguirmos à risca essa proposição, então damos conta que afinal não somos cidadãos, maridos, esposas, amigos, etc. Somos todos uns meros clientes (até os reclusos!). O mundo é uma clientela gigante.

Se nós dissermos que determinado rabisco é arte, então não presta, não tem valor. Mas se um Marchand afirmar que o mesmo rabisco é arte, então passa a ser arte. Inacessível e de incalculável valor. Eu não queria transpor este raciocínio para certos teóricos e teorias.

Até me apetece usar quepe!


Ontem encontrei na minha "biblioteca" um livro da Margot Phaneuf (já nem me lembrava que o tinha). Penso que uma parte significativa dos Enfermeiros conhece esta teórica canadiana da Enfermagem.

Desfolhei, li algumas páginas rapidamente, outras com mais atenção e depois simplesmente não digerir mais. Ler aquilo dá vontade de usar o quepe.
Do mais enfadonho e conservador que há, ficamos anestesiados com tamanho esabanjamento filosófico. Fico com a ideia que o Enfermeiro deve ser um profissional cuja principal arma terapêutica é a compaixão, a melancolia, a compreensão meta-física, a filosofia do amor, a entrega desmesurada e sem limites, a dádiva, o sofrimento carnal e espiritual, etc. A ciência e o conhecimento são secundários, meros adereços sem interesse.

Depois vem a parte da dignidade e autonomia (daquele tipo pantonoso... lê-se, lê-se, lê-se e não se sai do mesmo, não há sumo!). Escreve a senhora que o Enfermeiro não é um mero executor (estranhamente ficamos com a ideia inversa). Até uma imobilização o médico deve prescrever! O profissional de Enfermagem é uma espécie de servente, mas mesmo assim a Enfermagem partilha da mesma dignidade da Medicina, Psicologia, Biologia, etc (segundo ela).
Mas nem tudo é mau: pelos vistos, segundo a senhora, a Enfermagem é autónoma: além do amor e compaixão (que não estão sujeitos a receita médica!), podemos vestir o cliente, dar-lhe banho e passeá-lo. Mais ou menos as coisas que a empregada do lar que mora ao fundo da rua também sabe fazer.

Mas a evolução é notória: já não é preciso pedir licença ao médico para partilhar a mesma divisão que ele, o que é manifestamente positivo.

É melhor voltar à minha leitura de cabeceira: Cosmos do Carl Sagan e uma colectânea de artigos relativos à Imunologia e biocompatibilidade aplicada à prática da Enfermagem. A leitura anterior foi Nurses experiences of caring for families with relatives in intensive care units da Louise Stayt. Não sou extremista, mas admito que só o conhecimento científico pode ser o motor de qualquer evolução!

segunda-feira, agosto 17, 2009

O cerne da questão...


"A definição de Enfermagem não é para toda a vida. Creio que a Enfermagem é modificada pela época em que é praticada e depende, em grande parte, do que fazem os outros profissionais de saúde."

- Virgínia Henderson -

Para que todos os colegas que não têm um visão abrangente/longitudinal da Enfermagem e para quem diz que os Cuidados de Enfermagem são apenas "isto" ou "aquilo"... ou para quem opina assim:

"Esta discussão é uma vergonha (...) Dr Enf. "Se implica prescrever/administrar algo que o médico não prescreveu, faço". ALGO, depende! Se são cuidados de enfermagem autónomos, PERFEITO! Se estamos a falar de cuidados interdependentes, temos pena! Mas o Enfermeiro não pode prescrever, nem administrar por exemplo medicação. A mim irrita-me ver coisas destas escritas (...)."

Eu também tenho pena. Seguindo esse raciocínio (se os Enfermeiros há 50 anos pensassem assim, hoje a Enfermagem não existia tal como a conhecemos), os Enfermeiros ainda nem uma caneta teriam no seu bolso.
Estamos no Séc. XXI (diferentes contextos, complexidade crescente, outras necessidades, outra formação...) e existe algo a que nós chamamos... evolução.
Tenho mesmo muita pena de quem pensa que a Enfermagem será para sempre como é hoje...

Mentir é feio!


Acordei bem disposto e vou dormir irritadíssimo. Estraga-me o dia quem me fala em rácios descontextualizados e falsos!

"Em Portugal há 5,1 enfermeiros por cada mil habitantes, mas o número está bem abaixo da média da OCDE (9,6)" Link Jornal Correio da Manhã

A Ordem dos Enfermeiros, para ser coerente, devia explicar aos Enfermeiros (e às escolas de Enfermagem que utilizam este argumento para a disponibilização de mais vagas e formação de mais alunos!) a falácia monumental que está implícita nestes rácios da OCDE! Não o faz? Faço-o eu no pleno uso da verdade:

1. O rácios que a OCDE apresenta estão sobrestimados, pois incluem na sua contabilização Auxiliares de Enfermagem (existentes em quase todos os países englobados no relatório, excepto Portugal!);

2. Por comparem realidades/contextos diferentes (tipos de profissionais diferentes, funções diferentes, formações diferentes), estes rácios não são extrapoláveis para Portugal!

3. Quanto mais elevado é o rácio, regra geral, mais indiferenciada é a profissão (Enfermagem) no respectivo país, menos conotada é entre a população, menos respeitada no âmbito político, menor é o seu status social e menores são os respectivos direitos e os salários;

4. Para que o relatório fosse, grosso modo, enquadrado nas mesmas circunstâncias, Portugal teria de englobar na contabilização os Auxiliares de Acção Médica;

5. Os elevados rácio apresentados pela OCDE (9,6) é devido, em grande parte, a uma quantidade crescente de Enfermeiros desempregados e ao flagelo do subemprego. Rácio não implica emprego;

6. A questão da apresentação dos rácios de Enfermagem como indicador de qualidade de determinado Sistema de Saúde, remete-nos para fraudes estatísticas: a Noruega, por exemplo, em apenas um ano duplicou o seu rácio (para 31 Enf/mil habitantes!!!), através de estratagemas contabilísticos e pela contabilização de todo o tipo de profissionais que tem contacto directo ou indirecto com a prática de Enfermagem - isto demonstra que muitos países iludem por motivos políticos (desejam apresentar bons indicadores);

7. Os rácios da OCDE reflectem "quantidade" e estão muito longe de reflectir "qualidade formativa". O indicador "quantidade" não tem relação directa com bons Cuidados de Enfermagem nem com a dinâmica profissional. O indicador "qualidade formativa", por sua vez, tem uma relação estreita, directa e forte!
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8. Segundo relatórios da OCDE, o rácio Enfermeiro:Médico está a dimuir e continuará diminuir no futuro (por razões bem definidas e apresentadas pelos mesmos relatórios - a major prende-se, na base, com a maior qualificação académica dos Enfermeiros: "on average, the nurse/doctor ratio declined slightly from 3.1 to 2.9 across OECD countries, suggesting that "skill mix" defined in this crude way has been increasing. A possible explanation is that advances in medical technology and rising activity rates continued to drive the demand for doctors and part of the demand for nurses upwards, whereas at the same time they reduced another part of the demand for nurses, because less invasive surgery and better drugs and anaesthetics raised day surgery rates, reduced hospital length of stay, reduced hospital beds, and enabled growing numbers of patients with chronic illnesses to be cared for in primary care settings.").
Parece lógico que duas profissões que se desejam com semelhante nível de dignidade, autonomia, diferenciação e retribuição sócio-profissional se aproximem em termos númericos (ou pelo menos que o seu quociente não seja exageradamente díspar), seguindo a regra da diferenciação técnico-científica versus quantidade de profissionais. Quando determinada classe, altamente diferenciada, tende a aumentar exageradamente o número de elementos, em determinado ponto tende a ser desmultiplicada e fraccionada em vários níveis de capacitação e hierarquização.

Portugal não se enquadra neste tipo de contabilização-marketing! Faz muito mais sentido apostar na formação sólida e dosear a formação de acordo com as necessidades reais e de acordo com a disponibilidade do mercado para assimilar todos os profissionais!! Em vez de apoiar rácios utópicos e falsos, devemos rentabilizar a Enfermagem. Uma fatia muito significatica do tempo dos Enfermeiros no seu exercício profissional, é dispendido em tarefas/funções não inerentes à prática da Enfermagem (funções administrativas, auxiliares, etc...)!

Se os Enfermeiros se dedicassem exclusivamente à Enfermagem, o número de horas de cuidados disponíveis subiria exponencialmente!
O segredo: qualidade da formação, rentabilização e formação de acordo com as necessidades/desponibilidades de recrutamento por parte do mercado.
Tentativas de incrementações na dotação de Enfermeiros têm de ser estruturadas e planificadas numa estratégia de concertação entre Enfermeiros/Ministério da Saúde/Instituições empregadoras.
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P.s. - Portugal necessita de mais Enfermeiros? Recrutando todos os que estão disponíveis no mercado e rentabilizando/dinamizando a profissão, grande parte dos problemas carenciais ficariam sanados. Poderá ser estranho e paradoxal, mas a muitos serviços têm carências, tal como outros têm excessos (conheço alguns). Mais paradoxal ainda: aumentando exponencialmente o número de Enfermeiros em determinado serviço, não melhora o nível de qualidade de cuidados. A maior parte continuará a executar as mesmas tarefas, a diferença é que agora o tempo livre é superior em virtude de existirem mais Enfermeiros... os indicadores preenchidos são na generalidade... os mesmos. É pela estabilização da produção que se calculam, empiricamente, os rácios em Portugal.

A chuva.


Actualmente na Linha Saúde 24 não caem muitos telefonem. Chovem telefonemas. Uma verdadeira tromba de água.

"Médicos ficam horas pendurados horas pendurados à espera de serem atendidos pela Linha S24" link

Sindicato Independente dos Médicos (Carlos Arroz) comenta:

"A solução passou a ser o telemóvel. "A validação é feita através do nosso telemóvel e para os nossos contactos", disse Carlos Arroz, acrescentando que não faz sentido ligar para a S24 e ser validado por um Enfermeiro."

Dois problemas. A velha questão da superioridade médica: não faz sentido ser validado por um Enfermeiro?? Vale mais validar para os "vossos" contactos?? Portanto, tão simples quanto isto: vale mais a anarquia completa do que um médico ser validado por um Enfermeiro!

É por isso que a Saúde em Portugal não sai na ronha em que está... com isso e com médicos a auferir mais de 100 euros/hora em consultas abertas (aquelas que tomaram o lugar de ex-SU's encerrados pelo Prof. Correia de Campos, para poupar dinheiro e recursos!!)
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Por motivos como estes é que nos meu dia-a-dia profissional exerço em consonância com as minhas competências, o contexto com que me deparo e com as necessidades diagnosticadas. Se isso implica fazer algo com que um médico discorda, faço. Se implica prescrever/administrar algo que o médico não prescreveu, faço. Se implica decidir algo que o médico não decide, faço. Cá estou para assumir a minhas responsabilidades e decisões.
Nunca esqueçam, colegas, dos três pilares: formação/competência, contexto e adequabilidade! Façam o que fizerem, não há tribunal ou médico que vos toque, garanto eu!!! O "não-agir" é tão punível como o "agir"!
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Indignos são os Enfermeiros que não administram um simples paracetamol (ou os Enf-Chefes que não estão de acordo) quando necessário porque o médico não prescreveu (e já nem discuto situações de life-saving). Com uma postura assim...

domingo, agosto 16, 2009

Enfermeiros no Pré-Hospitalar.

.Imagem: Enfermeiro do SAMU de Paris, França
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"There is some rivalry between nurses (...) and paramedics. However, the increasing number of nurses in pre-hospital emergency care is contributing to the quality of the service by raising the competence level of the team as a whole." link
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Poucos países existem, em todo o mundo, cujo sistema de assistência pré-hospitalar assente apenas em "Paramédicos" (Técnicos de Emergência). O recurso a estes profissionais têm origem em dois cenários: escassez de Médicos/Enfermeiros (em época de escassez muito acentuada, os Paramédicos eram contratados nos Estados Unidos, para os Serviços de Trauma, Urgência e Cuidados Intensivos para servirem de Auxiliares de Enfermagem) e motivos económicos (mais baratos). Na esmagadora maioria dos países desenvolvidos (e classificados com alguns dos melhores sistemas de assistência pré-hospitalar! - ver França, Holanda, tália, Suécia, etc...), os Enfermeiros estão presentes no socorro e assumem um papel preponderante!
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Nos países onde pelas razões atrás referidas foram obrigados a recorrer a este tipo de mão-de-obra, o papel do Enfermeiro Pré-Hospitalar cresceu muito nos últimos dez anos, e muitíssimo nos últimos cinco. Nos Estados Unidos (ver Advisory Opinion: Pre Hospital Nursing), os Enfermeiros já tripulam todos os meios de socorro diferenciados (Mobile Intensive Care) e, em Inglaterra, os Enfermeiros dos quadros das várias entidades assintenciais têm vindo a aumentar (todos os privados têm Enfermeiros! ver Nurses in Pre-hospital Care) de ano para ano.

À medida que aumenta a complexidade do pré-hospitalar aumentam em proporção exponencial o número de profissionais de Enfermagem! Estudos recentes apontam a vantagem do modelo de emergência Franco-Alemão:

"Triage decisions of prehospital emergency health care providers, using a multiple casualty scenario paper exercise." (...) "There is little difference in the accuracy of triage decision making between the professional groups, with doctors and nurses scoring marginally better than paramedics" (British Medical Journal, 2002).

Não existe um único argumento de índole qualitativo que apoie a existência de Paramédicos relativamente aos modelos assentes em Médicos/Enfermeiros.
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"The education and training of a Registered Nurse (RN) in the pre-hospital environment goes beyond the knowledge base of the Emergency Medical Technician (EMT), Intermediate Emergency Medical Technician (IEMT), and Certified Emergency Paramedic (CEP). A pre-hospital nurse curriculum builds on general nursing knowledge and experience and proceeds with further specialized knowledge, skills, qualifications, and clinical competencies in specific areas." link
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Um dos exemplos europeus mais paradigmáticas é a Holanda. Lá ainda se usa o termo filmesco "Paramédico", em parte atribuído por desinformação e modelação. Na realidade na Holanda só existem Enfermeiros no pré-hospitalar (além dos condutores de veículos), bem como no equivalente aos nossos CODU's. Lá os Enfermeiros dispõem de uma autonomia notável, mesmo sem controlo online...
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"Since 1992, Dutch law has mandated at least one nurse on every ambulance in the country, at all times. The nurses employed on ambulances have all completed the full training required for a Registered Nurse in the Netherlands, and have then completed additional training and certification in Anaesthesia, Cardiac Care, or Operating Room, to apply for an additional year of training to qualify as a Registered Ambulance Nurse. All "paramedics" in the Netherlands are also nurses. The term ‘paramedic’ is used in the Dutch system, but is very strictly controlled to refer to a nurse with the appropriate additional training. As a result of this measure, all Dutch ambulances and rapid response vehicles are capable of providing Advanced Life Support (ALS) without online medical control." link

sábado, agosto 15, 2009

Infiressources.


"O próprio saber... é poder."

- Francis Bacon -


Umas das melhores bases de dados do mundo, com artigos científicos de qualidade internacional (Inglês/Francês) para a profissão de Enfermagem (em todo o seu espectro) - Resources in Nursing/Centre de Ressources en Soins Infirmiers. Obrigatório (fica nos links favoritos)!


www.infiressources.ca

sexta-feira, agosto 14, 2009

Os TAE's... e a Enfermagem.


"Fomos surpreendidos com mais uma manobra de aproveitamento do grupo TAE. Já falam em “carreira especial” e tudo. O MS está muito pródigo para todos, que não sejam os enfermeiros. Com efeito, prometeram-lhes contratar mais 500 elementos e a carreira. Aqui é que a porca torce o rabo.
A designação de “carreira especial”, expressão que supomos da exclusiva responsabilidade do dirigente do Sindicato dos Tae, vão juntando a de “paramédicos”.
O presidente do INEM vai consultando escolas com falta de alunos (ele e nós sabemos quais), que divulgaremos a seu tempo, quando o escândalo estiver prestes a ser público, se o for o que duvidamos, pois os enfermeiros dessas escolas, a quem estão a pedir colaboração, estão a perceber a manobra.
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Não vai ser um processo fácil nem exequível, pois se fazem falta condutores de ambulâncias, ou maqueiros, para ajudarem a manobrar as macas, contratem-se 500 ou 1000; querem uma carreira, pois faça-se-lhes uma carreira.Porém, fazerem de enfermeiros, a Classe não o vai permitir, pois tem uma Ordem, que vai servir para marcar o terreno a estes aventureiros, que até têm a coragem, digo mesmo atrevimento, de copiar o programa de um curso, decalcando o programa dos cursos de enfermagem.
Também estamos em boa altura de dizer aos responsáveis por tudo isto que se querem fazer paramédicos terão de fazê-los, só para substituírem o médico e não como tem sucedido, com outros que se chamam paramédicos, mas, depois roubam conteúdos aos enfermeiros e não aos médicos, donde provêm (?).
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Claro que se as escolas de enfermagem, integradas ou não, em universidades, não usarem a desculpa depenada, em voga, aquando das vacinas nas farmácias, que eram obrigadas a fazer aquilo, (preparar com conhecimentos de enfermagem, os balconeiros de farmácia), se não punham-nas na rua, é coisa que não nos convence. Portanto, se os enfermeiros docentes, ou não docentes, se não prestarem ao papel, seja a que pretexto for, de promoverem o curandeirismo, essa fraude, que se vislumbra, para a assistência na emergência, que se pretende implantar, no INEM e não só, à sombra dos mais humanos princípios, então o processo da carreira fica circunscrito a área que compete a esses trabalhadores, minimamente diferenciados: têm de saber conduzir bem e pegar nas macas, como manda a prudência e a preparação técnica garante. Tudo isto sem entrarem no âmbito da Enfermagem. Se o fizerem, mesmo que não seja do nosso agrado, teremos de denunciar o Estado Português e os seus legítimos responsáveis, por este atropelo, que nada justifica.
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Diziam, na hipótese de greve dos TAEs, que se recusavam a transportar suspeitos de gripe A. Mas são os INEMs que transportam esses doentes?
Além das ambulâncias o INEM também vai estender a carreira aos bombeiros voluntários, que de voluntários já nem o nome têm? O namoro às escolas de Enfermagem, para dar cursilhos a TAE, é golpe baixo, que nem o boxe consente.
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Circula a tese, que não perfilhamos, mas também não excluímos, por ser demasiado horrenda, “que seria uma forma de os médicos, suficientemente inexperientes, em medicina, e medrosos, perante a desenvoltura técnica dos enfermeiros, demasiado experientes, em situações de urgência, preferirem pessoal mais mal preparado e mais subserviente e medico dependente".
Se o “emergente” não resistir a este trato de polé (não vamos explorar, embora o possamos fazer, nesta altura, as broncas assistenciais com as VMERS de Lisboa, que não tinham enfermeiros e que só a situação de emergência permitiu ficarem sem análise e julgamento adequados), o problema é dele, do sinistrado, pois devia ter tido mais cuidado com o físico, se não queria cair nestas ratoeiras, aparentemente eficazes. E não basta pôr válvulas de segurança e limitadoras de pressão, para reduzir inevitáveis estragos com o uso de balões de respiração manual assistida, por manápulas insensíveis. Não basta apertar o balão; é preciso saber, quando e como; de contrário ventrículo rebenta.
Não devem ser os enfermeiros a afiarem a faca para os degolarem. Por isso se devem acautelar e não se envolverem neste golpe sujo e desnecessário, que não vamos deixar impune, dentro e fora do país. Que ninguém duvide deste aviso e da sua eficácia.
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Esperamos que cada um saiba ocupar o seu lugar, sem medo de pressões, para fazerem o que não devem. O assédio não é só sexual. Se assim for, isto é; se alguém forçar enfermeiros a ministrarem o seu saber e arte a estes curandeiros, em potência, cá estamos nós para os defendermos. Não faz sentido estar a adoptar, hoje, medidas do tempo em que havia escassez de enfermeiros, que desculpava muita anomalia. Outro tipo de exploração, mas igualmente reflectida, nos mesmos enfermeiros, é formar muitos para o desemprego. Pagam os cursos a peso de ouro, para conseguirem, em muitos casos, um lugar no desemprego. Não é por acaso que o patrão do INEM não organiza um serviço de enfermagem, claro e sem ambiguidades ou misturas. Também ele tinha muito a aprender e a emergência a beneficiar com isso. Tal como as outras modalidades de assistência, também esta merece organização e não caos, sobretudo, porque exige muita perícia, para fazer coisas certas, no momento exacto e, sobretudo, para a ignorância não permitir fazer o que não se deve fazer, num grau de instabilidade extrema do doente.
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Seja qual for o quilate dos oportunismos e oportunistas, é aos enfermeiros que compete defenderem a sua profissão, ameaçada por bicho careta. Revoltemo-nos e demonstremos, por todos os meios ao nosso alcance, os erros nas políticas da saúde, que nos afastam, deliberadamente, do centro das operações.São os enfermeiros que recebem os sinistrados nas urgências. É deles a primeira hora, num serviço de urgências, bem organizado. São os profissionais mais indicados para anteciparem essa recepção, através da assistência pré‑hospitalar, facilitando a recuperação, que começa no local do sinistro.
Mas todos sabem isto, onde podemos incluir, supomos, o presidente do INEM, tão bem como nós; a questão é outra, por isso a devemos atacar pronta e frontalmente.
"
Fonte: www.enfermeiros.pt
Imagem: www.inem.pt

Uma "especial" p.f.


Um Comunicado de Imprensa assinado pela Ordem dos Farmacêuticos, Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, Associação Portuguesa de Analistas Clínicos e Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, começa assim:

"Aparentemente, só sendo Médico, Enfermeiro ou um vírus, é que é possível resolver algo com o Ministério da Saúde."

Cómicos, estes Farmacêuticos. Só esta frase inicial é que é interessante, o resto do comunicado é um documento enfadonho que, basicamente, "exige" uma carreira "especial".

Não contentes com a categoria (Técnicos Superiores) atribuída até agora, também se acham no direito de ter uma "especial"... Ainda não percebi porquê. Bem argumentado eu esforçar-me-ia.

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Novo grupo para reflexão de Enfermagem (a promessa é: o que quer que ali se escreva, chegará a "quem de direito")! 

Para que a opinião de cada um tenha uma consequência positiva! Contribuição efectiva!