quarta-feira, janeiro 03, 2007

Enfermeiros espanhóis vão poder prescrever fármacos...




Eu sempre apoiei esta causa: os enfermeiros devem poder prescrever certos fármacos. É claro, que isto não seria feito de uma forma simples e linear, seria necessário certificação da formação para ser Enfermeiro-prescritor. Os nossos colegas espanhóis querem seguir o exemplo dos Enfermeiros americanos, suecos e ingleses...
Leiam com atenção exte fabuloso artigo. As verdades são para serem escritas e ouvidas:


"Autoridades de saúde querem reforçar papel destes profissionais, explicou a responsável catalã pela pasta.

Alguns enfermeiros espanhóis poderão passar receitas, visitar doentes e decidir se estes devem ser vistos por um médico, caso se concretize a intenção da responsável pela Saúde do Governo Regional da Catalunha, Marina Geli.

Num país com uma “população hipermedicada” com remédios, “é preciso criar um catálogo de fármacos que os enfermeiros possam prescrever”, defendeu na semana passada Marina Geli. “O pessoal de enfermagem deveria receitar uma grande variedade de substâncias para numerosas doenças”, à semelhança do que acontece na Suécia e nos Estados Unidos, assegurou, considerando lamentável a desvalorização da profissão de enfermagem.



Partindo do princípio de que este grupo profissional está “absolutamente infravalorizado”, a responsável da área da Saúde do Governo regional quer que sejam criados mecanismos eficazes de reforço do “papel do enfermeiro”. A responsável defende que os profissionais de enfermagem devem ter uma acção chave nas unidades de cuidados primários e nos programas de saúde pública comunitária.

Nos próximos quatro anos, o Governo autónomo da Catalunha quer dar “prioridade” à saúde pública, anunciou. A responsável, que quer alargar a aposta na promoção da saúde e na intervenção na comunidade, vai incluir na actividade dos centros de saúde a prevenção do tabagismo e do alcoolismo, a actividade física, a dieta da população e os acidentes laborais.

Marina Geli anunciou ainda a intenção de introduzir medidas que dêem aos médicos maior autonomia, sem que isso afecte a sua situação contratual. Os clínicos, defendeu a responsável, “devem ter mais poder decisivo nos centros de Cuidados Primários e nos hospitais”, já que, em Espanha, é grande a desigualdade no acesso “ao médico de família, e ainda mais se se tratar de um especialista”.»

Eis um texto que extraímos do jornal “o Público” de 26/12/2006.

Como nos sentimos tristes por não termos, em Portugal, autoridades sanitárias (Ministro da Saúde e seus “pódós”) com a visão desta Catalã, que olha para o mundo e vê como ele está a resolver os problemas de saúde. Tenta copiar exemplos construtivos, evoluídos, como os que lhe serviram de inspiração; da América à Escandinávia toda. Podia incluir Canadá e Austrália, Reino Unido e outros países: muitos mais!

Nós continuamos cobertos por um manto lúgubre, de apagada e vil tristeza. O nosso ministro (não temos outro, nem se divisa quando o podemos vir a ter), em vez de tentar reduzir a despesa com a saúde (doença), inventa maneiras de aumentar a receita, através de taxas ilegais, inconstitucionais, mas sobretudo, imorais. Não está a servir-lhe de fonte inspiradora o curso da “economia em saúde” que foi obter à América, com bolsa de estudos autoatribuida, no pós “Pintassilguismo”. Em vez de o ensinar a poupar, ensina-o a gastar.

Nos “cuidados primários” (de principais, de básicos, de essenciais), em vez de potenciar o papel dos enfermeiros, abafa-o com a primorosa ajuda do Dr. Pisco, que se rodeou de pobres pategas, a quem o ministro entrega a “missão” nobre de criar mais um monstro, que só complica: as USFs, tão recentes e tão famigeradas, já. Não podia esperar-se outra coisa, de um médico presidente da Associação do Clínico Geral, criada com o fim de defender o exclusivo destes clínicos dentro do contexto geral dos cuidados primários. O Dr. Pisco encomendou enfermeiras que o ajudassem a enganar as colegas. E conseguiu as. Só teve dificuldade em aplicar os critérios de selecção ao elevado número de concorrentes. A Ordem dos Enfermeiros, em vez de impor o papel correcto dos seus membros, como lhe compete, ontologicamente, entregou membros do seu elenco para ajudarem a complicar as coisas e a optar por caminhos errados. Podia ter dito quais as competências que detêm os Enfermeiros, hoje licenciados e impô-las, como devia e deve proceder. Preferiu mandar serviçais sem imaginação nem formação, para servir o amo, regressando à Idade Média, onde as relações eram de soberanos/suseranos.

Quando o caminho deve ser no sentido de limitar os ímpetos dos “inventores de doenças” para justificarem os medicamentos que receitam;

Quando a economia em saúde aconselha a reservar os medicamentos para os doentes, o ministro deixa que os “prescritores” invadam a área dos saudáveis, para aumentarem o número de consumidores de medicamentos, logo de despesa, que a nossa débil orçamentação pública não aguenta, dizem, a não ser que se inventem taxas e taxas, com fins demagogicamente nobres (como os do cancro que o ministro usou), quando está em causa o consumo lucrativo de remédios, curiosamente bem disfarçado, com um pseudo esforço intencional de o restringir. Mas de boas intenções…

Outros povos já tiveram este problema e resolveram-no, substituindo os remédios e apêndices, potenciando a acção dos Enfermeiros, demasiado evoluídos para estarem a ajudar médicos em acções muito pouco importantes para a melhoria dos cuidados de saúde. Receitar medicamentos; prescrever meios auxiliares de diagnóstico, a quem precisa e não precisa, é enganar o Povo. Apenas serve para aumentar os gastos e inventar os destinos para verbas arrecadadas.

Não é difícil encontrar seguidores destas políticas erradas, tanto nos prestadores, como nos utentes dos seus préstimos: os primeiros, porque é mais lucrativa e fácil a acção que desenvolvem, bastando agir no sentido de a tornar credível e útil, mesmo que o não seja; os segundos são vítimas da possibilidade de um dia estarem doentes e até morrerem. O fundamental é encontrarem quem lhes evite a doença, mesmo que seja com o recurso a remédios, usados em doentes, como recurso e por se crer serem, para estes, o menor dos males (porque os medicamentos, todos eles, têm efeitos secundários, isto é; além daqueles para que estão indicados, podem fazer adoecer e matar, até).

Os Enfermeiros, mediante a expansão das suas capacidades reais, são a melhor solução para este estado de coisas, que não deixaremos de publicitar, de várias formas, através dos meios, ainda disponíveis, fora do controlo. Nem nos cansaremos de difundir as nossas convicções, séria e profundamente reflectidas, sem fins exclusivamente corporativistas, mesmo que a máquina comercial e industrial tente abafar a nossa mensagem. Pretendemos pô-la ao nível das consciências, dos Enfermeiros, dos Médicos de recta intenção e dos utentes que procurem a verdade da sua situação e queiram aprender a viver com ela, em vez de morrerem para se libertarem, do seu desígnio de seres mortais, mesmo que isto seja um prejuízo para os “inventores de doenças” e “fabricantes de remédios”, uns e outros, devidamente caracterizados e identificáveis, hoje. A nossa proposta é necessariamente mais humana e eficaz, não há dúvidas. Basta encontrar ministros que percebam o que é saúde e doença e saibam como preservar uma e atacar outra, dentro dos limites que a natureza humana nos proporciona.

Não digam, por favor, muito perto de nós, que o actual e reciclado ministro da saúde, percebe muito disso. Os factos demonstram que percebe pouco e mal.
"




Fonte: www.sen.pt

Comments:
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Caro colega. Como sabe a prescrição de terapêutica em determinados contextos clínicos não é caso único em Espanha. Assistimos desde o início de 2006, no reino Unido, à prescrição pelos enfermeiros Ingleses de terapêutica. E, pelo que se sabe, têm sabido estar à altura das suas responsabilidades. O que não nos surpreende.
No entanto será muito curioso observar a forma como esta matéria será discutida em Portugal, não só pelos enfermeiros como naturalmente pelos médicos. E não nos podemos esquecer que temos uma classe médica de alguma forma conservadora. Veremos quando esta questão for seriamente discutida em Portugal o comportamento de todos os actores dentro do Sistema de Saúde. Sim, porque esta questão também vai cá chegar.
 
Convido-o a aceder ao blog:
enfermagemportuguesa.blog.pt.
Abraço
 
Meu caro amigo, só tenho uma coisa a dizer: não és gago e sabes o que estás a dizer. Parabéns por esta excelente exposição. Nem me atrevo a estragar o que está escrito. Digo só o seguinte: será que foi para ter a Ordem de Enfermeiros que temos que eu (com os demais)me mobilizei????? Seguramente não! Pior que aturar as prepotências e reminiscências de um tempo Jurássico, é mesmo pactuar com elas, que é exactamente o que a nossa Ordem tem feito! Até quando?...
 
Eu não concordo com essa situação, os enfermeiros não devem fazer prescrição terapêutica, isso é um acto médico e deve continuar assim, se querem fazer isso devem seguir o curso de medicina, porque qualquer dia não sabemos quem é quem, e isso já esta acontecer.
 
Caro Paulo, a prescrição de que se fala, é simplesmente legalizar a terapêutica que muitos enfermeiros administram sem cobertura legal. Claro que não será todo o tipo de terapêutico farmacológica. Serão apenas fármacos "generalistas". É útil ter poder prescritivo para quando por ex. um enfermeiro, faz uma visita domiciliária, observa e diagnostica alterações dos hábitos urinários por infecçlão do tracto urinário, e prescreve um ciprofloxacina. Simplesmente vai encurtar todo o processo de: voltar ao centro de saúde, comunicar ao médico, o médico deslocar-se para observar, prescrever o fármaco, etc, etc, etc... o enfermeiro faz de imediato o que médico também faria.
Além disso, o enfermeiro faria a triagem das pessoas que realmente necessitam de ser observadas pelo médico...
Noutros países, esta intervenção dos enfermeiros têm tido muito sucesso.
Outra questão: o controlo da dor que a Ordem dos enfermeiros tanto apregoa... se não prescrevermos pouco está ao nosso alcançe... apenas informar o médico e ficar à mercê da sua decisão...
 
Mais uma vez, cinco estrelas na resposta!Se me fôr permitido,também gostaria fazer um pequeno apontamento ao amigo Paulo. Caro amigo, a sua opinião, tal como a minha, valem pelo que valem, mas deixe que lhe diga o seguinte, haverá poucos profissionais que estariam mais habilitados a prescrever medicação que os enfermeiros. Como sabe, é prática diária a manipulação e administração de fármacos por parte de enfermeiros (com tudo o que isso acarreta). Também como sabe, existem simpósios terapéuticos desponivéis (graças a Deus) a todos quantos queiram ler. Portanto, e tendo em conta, que já há uns anos largos, a enfermagem é leccionada a nível superior (como o amigo certamente saberá) presumo que todos os enfermeiros saibam ler (concordará, não?)Se formos então à etimologia da palavra Medicina, compreendo que médico será aquele que estuda/desenvolve medicamentos, mas então onde é que cabe o farmacêutico? Se calhar não cabe, certo?
 
Poderia explanar, um pouco melhor a sua opinião, amigo Hugo Roque? E já agora, se desejar (lembro que tem todo o direito ao anonimato), identifique pelo menos o seu grupo profissisonal, pois pelo comentário fiquei com a sensação que é farmacêutico (ajudaria de certo modo a compreender melhor esta discussão).
Desde já, obrigado.
 
Saudações! Respondendo ao apelo feito pelo amigo doutor enfermeiro, desde já informo que sou enfermeiro, com muito prazer, mas com algum descontentamento (mas não estaremos todos nós?). O que eu queria dizer com o meu comentário anterior, é de que não entendo, como tal não aceito, a argumentação apresentada no que diz respeito para o facto de o enfermeiro não poder (ou não dever) prescrever fármacos!
Um abraço!
 
Só uma pequena correcção ortográfia: onde está "desponíveis", deverá ler-se disponíveis!
Obrigado!
 
Colega Hugo,
defina com clareza a sua posição. É a favor da prescrição de alguns fármacos por parte dos Enfermeiros?
 
Essa da infecção levar uma ciprofloxacina é de rir... como sabe que é uma infecção urinária? que diagnósticos diferenciais colocar? sabe se as quinolonas serão o melhor antibiótico para a pessoa em causa... ou acha que infecção urinária é igual a ciprofloxacina só porque vê muitos médicos a prescreverem... mau demais de para ser verdade...
 
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Sr. Anónimo, a ciprofloxacina foi apenas um mero exemplo.
Não vou aqui, de forma alguma, discutir farmacologia.
No entanto permita-me dizer-lhe que por esse país fora, milhões de embalagens de antibióticos (entre eles a ciprofloxacina) são receitados por médicos, sem qualquer exame complementar de diagnóstico, ou seja, sem saber se determinado fármaco é aconselhável ou não para o utente. Basta ir a uma urgência hospitalar, para ver receitados todo o tipo de antibióticos de ânimo leve.

O médico por exemplo, quando vê chegar à urgência um utente que se queixa de "ardor ao urinar, urina turva e fétida", provavelmente receitaria uma quinolona, SEM recorrer a qualquer teste. No máximo, usaria um combur-test. O enfermeiro faria o mesmo. Qual a diferença e o espanto?

De qualquer forma, brevemente vou "postar" aqui um estudo britânico, que foi publicado após dois anos de prescrição por enfermeiros, e que avalia as mesmas. Este estudo veio demonstrar aos cépticos, que as prescrições feitas por ambos os profissionais (médicos e enfermeiros) tinham o mesmo nível de qualidade, eficácia e eficiência, sendo que os enfermeiros eram inclusivé superiores na prescrição correcta de certos fármacos. (lembro que este estudo apenas tem em conta os fármacos que os enfermeiros podem receitar).
Um abraço.
 
Caro colega doutorenfermeiro, sou claramente a favor da prescrição por parte de enfermeiros (mais uma vez volto a afirmar: com tudo o que isso acarreta) O Sr. anónimo (provavelmente promotor de doenças,será??) deve estar equivocado, ou então diria que anda um pouco distanciado da realidade... mais de quantos desgraçados que vão às urgências com uma disúria, levam com o "tratamento chapa 5"??
 
Inteiramente de acordo.
 
"tratamento chapa 5"?? "milhões de embalagens de antibióticos (entre eles a ciprofloxacina) são receitados por médicos, sem qualquer exame complementar de diagnóstico, ou seja, sem saber se determinado fármaco é aconselhável ou não
Se a vossa argumentação é (apenas)essa de facto não há volta a dar - vocês não de facto habilitados a prescrever seja o que for. Ver fazer, ainda que de uma forma repetida, pode parecer igual mas pode não ser - conseguirão diferenciar? A resposta demora, meus senhores, algum tempo a conseguir... notas que atestem um secundário bem feito + 6 anos de faculdade + 2 anos de internato geral (modelo antigo, agora já não) + especialidade que varia de 3 a 6 anos sendo em média 5 anos
E para não ficarmos em abstracto conseguirá responder a estas perguntas sem fazer pesquisa bibliográfica - pela clínica que referiram quais os diagnósticos diferenciais e implicações terpêuticas, que antibióticos usar (indicações e efeitos laterais).
"sem saber se determinado fármaco é aconselhável ou não" - esta situação meus senhores é o que acontece em todo o mundo e chama-se antibioterapia empírica... não tem outra maneira de ocorrer... e qual o interesse do Combur nestas e noutras situações? (ou é só olhar para as cores)
 
Eu sou contra essa decisão, pois nem os atendentes de farmácia ( que tem conhecimento em medicamentos ) devem indicar algum medicaamento,exeto algum para dor de cabeça...Veja aonde já chegou a situação...o que vc pensa sobre isso? medite e se lembre que todo medicamento indicado sem prescrição medica pode trazer sérios problemas...
 
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