domingo, maio 06, 2007

Prescrever ou não prescrever: eis a questão!




Encontrei este post num blog de um farmacêutico, que embora já com algum tempo, continua actual, e certamente ainda terá mais importância num futuro breve. É relativo à prescrição de fármacos, que cada vez mais noutros países se estende à classe de Enfermagem. O Sr. farmacêutico brinda-nos assim com este discurso que reflecte a sua opinião pessoal:

"Vai rija, no Médico explica, a discussão sobre a possibilidade de os Farmacêuticos e os Enfermeiros puderem vir a prescever fármacos, à semelhança do que acontecerá em Inglaterra: «UK's Secretary of State for Health Patricia Hewitt announced .../..., nurses and pharmacists will acquire broad drug prescribing rights. Nurses and pharmacists will be able to attend an extra training course giving them permission to prescribe almost every licensed medicine for any medical condition - with the exception of controlled drugs.»

Nos Estados Unidos,como se lê neste apontamento, vai-se mais além e existem mesmo clínicas em lojas, como as da Wal-Mart, onde Enfermeiros diagnosticam e estabelecem terapias. Embora tenha uma visão bastante liberal do mundo e embora defenda que mais importante que os títulos é a competência de cada um dos profissionais, julgo que há situações, problemáticas, onde convém adoptar um certo conservadorismo.

Já opinei no Explicador, mas resumo aqui a minha posição relativa à realidade Portuguesa, concisa para ser clara:
Não concordo que Enfermeiros venham a prescrever porque não têm competência técnica para o efeito.
Não concordo que Farmacêuticos venham a prescrever porque há incompatibilidade notória com as funções que desempenham.

Defendo antes, a especialização de funções e a colaboração em equipas multidisciplinares. Coisa que não acontece por cá, mas enfim. Agora para terminar, e como não podia deixar de ser, para "picar" o Médico e, já agora, o Enfermeiro apresento as razões, genéricas, porque é difícil trabalhar com as suas classes:
Um Médico tem sempre a mania de que é "bom", embora não tenha a mania que sabe tudo.
Um Enfermeiro tem sempre a mania que sabe tudo, embora não tenha a mania que é "bom".


Eu, pessoalmente, mesmo assim, prefiro trabalhar com Médicos, os Enfermeiros ninguém os atura, são incapazes de pronunciar a expressão "não sei", são uns bitaiteiros, mas não passam da rama. E só mais uma, verdadeira, ouvida, numa conversa séria, a um grupo de Analistas Lisboetas: Sabem quais os Médicos que mais se interessam pelos doentes, que mais ligam para o Laboratório a saber de resultados ou a insistir na sua urgência?
Os Médicos Veterinários!!!
"


Anedótico. Por curiosidade deixo-vos a lista de patologias e fármacos que os Enfermeiros Ingleses podem diagnosticar e prescrever.

Comments:
só me ocorre dizer... que redículo... na lista fica alguma coisa de for?
 
"Um Enfermeiro tem sempre a mania que sabe tudo, embora não tenha a mania que é "bom""


Neste blog os enfermeiros têm a mania que sabem tudo E têm a mania que são bons!!
 
Só para acrescentar que foi realizado um estudo no Reino Unido, que concluiu que não existem diferençanas entre a prescrição feita por médicos e por Enfermeiros relativamente aos fármacos contemplados na lista.
 
Como essas palavras vêm de quem vêm, não têm valor algum...
Como pode um farmacêutico avaliar conhecimento ou competência de um enfermeiro ou médico? É preciso ser-se "um" para avaliar "outro". Poderá, isso sim, falar à vontade sobre os seus colegas "competentes", "responsáveis" e "cheios de conhecimento" que vendem antibióticos a clientes com gripe.
As palavras importariam se fossem proferidas por aqueles que usufruem dos cuidados prestados por enfermeiros e médicos, mas como se sabe, as desses são totalmente diferentes.
Curisoso ver esse senhor afirmar que existe incompatibilidade dos farmacêuticos com a prescrição. Certamente que reflecte a realidade, num país em que ALGUNS vendem medicamentos a quem não necessita deles.
 
Mais ainda, colega Rui, fala na incompatbilidade de farmacêuticos na prescrição de fármacos como se não houvesse qualquer outro problema além dessa mesma incompabilidade. Terão formação e experiência clínica para assumirem uma prescrição? É que não estamos somente a falar de pequenos ensinos do tipo "não se esqueça de tomar o comprimido depois da refeição"!
Estamos a falar de formação e experiência clínica, coisa que dificilmente se obtém atrás de um balcão de uma farmácia!
Os Enfermeiros pelo contrário possuem formação abrangente e experiência clínica obtida com horas a fio de exercício em urgências, unidades de internamento, unidades de cuidados intensivos, centros de saúde, etc, etc....
 
"Presente e futuro da prescrição farmacêutica: realidades inglesa e portuguesa
- Dr.ª Filipa Alves da Costa

Este artigo aborda a prescrição por farmacêuticos. Como enquadramento, refere-se a longa luta travada por parte dos enfermeiros no Reino Unido (RU) para lhes serem concedidos direitos de prescrição, a qual serviu de ponto de partida aos desenvolvimentos posteriores a nível da classe farmacêutica"

Reparem que são os Enfermeiros que quebram sempre as barreiras!!!
Deixo o link para a leitura deste artigo sobre a prescrição por não-médicos: http://www.jasfarma.pt/artigo.php?publicacao=mf&numero=26&artigo=8
 
Prescrever. Tornar apenas legal aquilo que já acontece. Porque está a prescrição de fármacos apenas ao alcance dos médicos, se em casa todos nós o podemos fazer e com segurança? A prescrição de um conjunto, restrito, de fármacos poderia melhorar a intervenção terapêutica dos enfermeiros como resposta aos diagnósticos de enfermagem. Não defendo que os enfermeiros façam diagnósticos médicos, tratamentos médicos, ou o acesso à prescrição de todos os fármacos existentes; mas parece-me que os enfermeiros portugueses têm a formação adequada para utilizar alguns medicamentos com segurança, garantindo a segurança dos doentes e acrescentado qualidade e eficiência às instituições de saúde.
Todos os dias administramos fármacos que não estão prescritos, muitos deles são prescritos à posteriori pelo médico, outros não. Se esta realidade se tornar legal acrescentará responsabilidade a esta prática, responsabilizando os enfermeiros pela mesma e aumentará por conseguinte a segurança dos doentes.
A relação entre médicos e enfermeiros é pacífica e não me parece que esta hipotética realidade viesse alterar a cordialidade existente actualmente, antes pelo contrário, aumentaria o espírito de equipa que já existe; até porque a formação que os enfermeiros teriam de fazer seria dada essencialmente por médicos.
Defendo, mais uma vez pela segurança dos doentes e pela responsabilização profissional, que deveria acontecer algo semelhante com os farmacêuticos, que como sabemos são outra classe de profissionais de saúde que também prescrevem fármacos de uma forma informal, e aos quais reconheço o maior profissionalismo.
 
Aproveito para colocar uma questão a qual ainda não consegui esclarecer: a prescrição farmacológica nos países mencionados é limitada ao exercício intra-institucional ou passível de exercício liberal como acontece na classe médica?
Obrigado. Um abraço.
 
Efectivamente a formação e experiência clínica dos farmacêuticos abordada pelo colega DoutorEnfermeiro é um ponto importante desta discussão.
Desconheço a formação de âmbito clínico destes profissionais, mas penso que a experiência (mais-valia fundamental à medicina e enfermagem) não tem desenvolvimento significativo com a sua prática habitual.
Talvez um estudo semelhante ao que prova a segurança da prescrição farmacológica dos enfermeiros no Reino Unido, mas realizado aos farmacêuticos, possa esclarecer esta questão.
Abraço!
 
Sim colega Rui, os Enfermeiros podem prescrever na fármacos na sua actividade privada ou independente. Além disso está contemplado pela lei que podem presecrever alguns fármacos fora daquela lista inicial, desde que tomem a responsabilidade total pela prescrição. Podem receitar por exemplo, botox!
Inicialmente não podiam receitar estupefacientes (diazepam, fentanil, etc...), no entanto, neste mometo já podem receitar alguns fármacos desse género (Controlled Drugs).

Algumas questões e respostas estão apresentadas no seguinte link http://www.dh.gov.uk/en/Policyandguidance/Medicinespharmacyandindustry/Prescriptions/TheNon-MedicalPrescribingProgramme/Nurseprescribing/DH_4123003

Abraço.
 
Entao nestes países, a medicina e os médicos estão em vias de extinção, é isso?
 
Cabe aqui esclarecer que a prescrição não está autorizada a todos os enfermeiros, apenas aos "enfermeiros prescritores", que fazem formação específica para o efeito e normalmente são os que trabalham e têm competências nos cuidados primários. Como será lógico, um enfermeiro do internamento, não necessita de prescrever. Seria uma enorme irrresponsabilidade se todos os enfermeiros fossem autorizados a prescrever fármacos. Como licenciado na área da mediciana, que antes já exerci a enfermagem, posso testemunhar que na sua grande maioria os enfermeiros na sua actual formação não estão preparados para prescrever. è necessário conhecimentos aprofundados de fisiopatologia, patologia e semioliogia clinica e propedeutica médica e de analises clinicas. Sem esquecer a terapeutica geral. Não se esqueçam que prescrever não é só saber para que está indicado um medicamento, seus efeitos secundários, etc. è muito mais que isso.Como sabem um dos problemas do Curso de enfermagem em relação a determinadas cadeiras nucleares é a sua falta de aprofundamento cientifico, pois apenas são dadas matérias com conceitos gerais, sem aulas práticas laboratoriais, como quimica fisiológica, genética, etc.
Por tudo isto, não sou contra a prescrição por enfermeiros, mas deve ser feito com muitas alterações.
carlos
 
Curioso virem tantas críticas aos enfermeiros de pessoas cuja relação interpessoal se resume a "Bom dia, o que deseja?" e a transmissão de conhecimentos científicos a "tome 2 por dia", coisa que actualmente já vem descrita na receita...

Talvez um dia percebam a necessidade de transmitir confiança naquilo que dizemos e fazemos, caso contrário somos logo alvo de críticas destrutivas por parte de pessoas que hoje em dia não exigem menos que a perfeição nos cuidados que prestamos (quer aos médicos, quer aos enfermeiros).

Não considero a prescrição de medicamentos um passo fundamental na evolução de enfermagem. Por um lado sempre aumentava a nossa autonomia na prática diária, mas por outro vem o clássico "With great power comes great responsibility". Não digo que os enfermeiros não estejam preparados para esta responsabilidade, mas existem demasiados contextos de trabalho para se falar genericamente em "administrar medição". Talvez quando o conceito for mais trabalhado e aplicado à nossa realidade já seja mais fácil exprimir uma opinião melhor fundamentada.
 
Não se esqueçam que uma das razões para que tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, as Nursing Practioner (nome dado às enfermeiras que podem prescrever) é porque são mão de obra mais barata do que os médicos, por isso foram aceites pelo sistema. Além do mais, muitas existem em constextos de saúde comunitária, ou em zonas distantes (ex. Alasca) precisamente porque nenhum médico quer para lá ir. É isso que queremos, certamente alguns...mas penso que se deveriamos preocuparmo-mos com o que é nosso, porque para prescrever medicamentos já existem outros a fazê-lo e bem...ou qeremos ser mão de obra barata para os locais o médico não quer estar???
 
Caro amigo, os Enfermeiros noutros países também prescrevem nos internamentos. Aliás, os Enfermeiros prescrevem em abulatório, urgência, internamento e como independentes.
Relativamente ao facto de Enfermeiros receitarem porque são mão-de-obra mais barata que os médicos, tal não corresponde inteiramente à verdade. O conceito inerente à prescrição por Enfermeiros é a acessibilidade e rapidez na saúde, ou seja, não é necessário esperar pelo médico para uma gama de situações. Repare, ninguém quer substituir os médicos, apenas agilizar o sistema.
Existem estudos (repito!) nomeadamente no Reino Unido que demonstram que a eficácia e eficiência da prescrição por médicos e Enfermeiros é a mesma dentro da lista proposta para os Enfermeiros!
Existem inclusivamente estudos a decorrer que as primeiras impressões apontam para um menor índice de erros por parte dos Enfermeiros do que médicos! Mais uma vez relembro que estamos a falar de estudos com substâncias que ambas as classes possam presecrever!
Há algum tempo, um colega meu de serviço, fez-me o seguinte reparo: "a incoerÊncia que é um Enfermeiro poder ensinar um diabético a auto-ajustar as suas doses de insulina, quando o próprio Enfermeiro legalmente não o pode fazer de forma autónoma!" Digo legalmente, pois como sabem, muitos Enfermeiros administram medicamentos e ajustam doses sem cobertura legal, muitas vezes com conivência médica, e outras ainda sem conivência... mas sempre para bem do utente!
Por exemplo, os Enfermeiros dos cuidados palitaivos deveriam poder prescever analgésicos e ajustar as suas doses sem necessidade de chamar o médico!
Existem um sem fim de razões a favor da prescrição de Enfermeiros! Eu sou 100% a favor!
De certa forma, é um futuro inevitável!
 
Ora, os Enfermeios são capazes de prescrever face a determinados problemas de saúde com os quais estão familiarizados. Na prática, é o Enfermeiro que é o prescritor mental de muita da terapêutica instituida. O médico, muitas vezes apenas serve de escriba para colocar no papel reconhecido pela lei (vulgo folha de terapêutica, Prescrição On-line, etc) aquilo que foi produto da actividade de juízo clínico dos Enfermeiros. A prescrição por Enfermeiros é uma questão de ajuste da legalidade com a realidade. Devidamente regulamentada poderá ser uma mais valia para os utentes!
 
Por vezes estes tópicos levam a guerrilhas e posts sem qualquer relevância!

Só queria brevemente deixar 2 pontos:

A realidade do Reino Unido não pode em circunstância alguma ser comparada a Portugal..não faz qualquer sentido pensar em adaptar qualquer aspecto da realidade do sistema de saúde Britanico ao Português! Os sistemas de saúde não têm comparação!

Eu sou farmacêutico e trabalho no Reino Unido! Não ve vou alargar, mas posso deixar alguns dados da realidade!

1- Na farmácia tenho que verificar todas as receitas aviadas. (tenho que assinar todas as caixas de medicamentos (que levam rótulo) e receitas, assumindo a responsabilidade por isso! Quer como as doses, posologia, interacções estão verificadas.

2- Se eu ficar preso no transito a farmácia não abre até ao chegar, ou se me sentir mal a farmácia fecha e contactam uma agancia para arranjar um farmacêutico para resto da tarde!

3- Contacto médicos diáriamente para verificar aspectos relativos à medicação

4- Existem "medicines Use Review" que são revisões (consulta) que os utentes fazem com o farmacêutico sobre a sua medicação (se tomam correctamente, efeitos secundários, interações, etc etc, seguindo relatório para o médico com sugestões - Estas consultas são pagas pelo SNS à farmácia) - Quer queiram quer não um farmacêutico sabe mais sobre medicamentos que o médico.

5- Outro aspecto importante é que não pagam medicamentos aqui, o Estado paga!

6- Aqui qualquer coisa pode ser prescrita no SNS daqui. Protector solar, sumos vitaminados, enfim qq coisa desde que o médico se consiga justificar sobre a utilidade da prescrição.

7- TUDO é prescrito por genéricos, e não há os fantásticos Genéricos de Marca!! Aqui se um médico prescrever uma marca quando há genérico, o mais certo é acabar a pagar a diferença para o genérico ao estado!!

8- Aqui JAMAIS em circunstância alguma um MSRM sai de uma farmácia sem receita! digo com toda a certeza que saem mais MSRM sem receita de qq farmácia Portuguesa num dia do que em todas as farmácias do Reino Unido num ano!


Enfim, não há comparação, e portanto não é possível adaptar uma realidade que não é aplicável! Aqui há medicos, emfermeiros, farmacêuticos a prescrever, mas em todas as situações todos seguem rigorosas regras (guide-lines) e são rigorosamente vigiados!


Não era presciso muito para ajustar a realidade do SNS em Portugal, apenas um pouco de coragem!

Aqui não há delegados de propaganda médica e o sistema funciona muito bem...já pensaram? uma profissão que resulta directamente da corrupção... Aqui os médicos actualizam-se com informação imparcial, não precisando de "explicações" desses senhores de fato...enfim
 
Tal como dei a entender num comentário a outro post, perante isto deixo de ver lugar para a prática da medicina...aparentemente os enfermeiros sobrepõem-se àquela prática mas com a vantagem de saberem mais e de serem melhores no que fazem...

"Há algum tempo, um colega meu de serviço, fez-me o seguinte reparo: "a incoerÊncia que é um Enfermeiro poder ensinar um diabético a auto-ajustar as suas doses de insulina, quando o próprio Enfermeiro legalmente não o pode fazer de forma autónoma!" Digo legalmente, pois como sabem, muitos Enfermeiros administram medicamentos e ajustam doses sem cobertura legal, muitas vezes com conivência médica, e outras ainda sem conivência... mas sempre para bem do utente!"

Gostaria de saber de quem continua a ser a responsabilidade civil nestas situações...e a quem o doente vem pedir explicações no fim...

"Por exemplo, os Enfermeiros dos cuidados palitaivos deveriam poder prescever analgésicos e ajustar as suas doses sem necessidade de chamar o médico!"

Deveriam??! Então suponho que tenham tido formação MÉDICA suficiente para não matar o doente...

O melhor mesmo é fundir os cursos de medicina e de enfermagem uma vez que para além de iguais os médicos ainda ficariam a ganhar!!!
Este é o problema da frustração de quem não conseguiu entrar num curso continuar eterna e indefinidamente.
A meu ver isto é uma afronta a quem está em enfermagem por prazer, a quem sempre quis ser enfermeiro!!! Não mascarem as vossas ambições servindo-se do suposto bem comum dos utentes...Estamos perante 2 profissões com direitos e deveres diferentes que se devem complementar e não promiscuir.
 
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