sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A lógica da batata...


A Ordem dos Enfermeiros (Enf. Manuel Oliveira) afirmou no Diário As Beiras:

"Não há Enfermeiros a mais, há emprego a menos!"

Como é que ninguém se lembrou disto antes? Finalmente (!) compreendo este mundo...

- Não há poluição excessiva no planeta, há pouco espaço para poluir!

- Não há obesos, há peças de roupa de tamanho reduzido!

- Não há engarrafamentos de trânsito, há poucas estradas para circular!

- Não há elevada incidência de AVC's em Portugal, há pouca gente para ser atingida!
a
- ...

A Ordem dos Enfermeiros não compreende: não é o mundo que se deve adaptar aos Enfermeiros. Sãos os Enfermeiros que se devem adaptar à realidade...!
O que me parece é que a realidade passa pela OE, que por sua vez fica sentada a fitá-la, impávida e serena. Senão, vejamos:
As estratégias de formação inicial pouco mudaram...
Os currículos formativos não se adaptaram...
A qualidade do ensino não está garantida...
As competências não evoluem há dezenas de anos...
A investigação continua a não ter aplicabilidade...
A gestão de recursos não é equilibrada...
A evolução académica não teve uma repercussão acompanhada no exercício profissional...

Comments:
Dr enf,
cada vez mais concordo consigo...
 
Continua atento e audaz em todos os posts. De facto a OE neste momento não serve, nem de perto, nem de longe os enfermeiros ou a enfermagem. Resta saber ao serviço de quem ou de quê está prejudicar a enfermagem. Será acuidade intelectual diminuta (com a devida excepção da ética)? Pelo que me parece é a única Ordem que não "luta" pelos respectivos profissionais... Mudanças? Só daqui a 4 penosos e piores anos?!
 
Os enfermeiros não estão descontentes com a OE!
Não sorriem porque não usam colgate....

Sra. Bastonária ACORDE!!!!
 
http://dossierdeaprendizagem.blogspot.com/2008/02/ainda-as-questes-do-emprego.html
 
Estavamos todos à espera do quê afinal?!

Apenas vamos ter o episódio número 2 da saga da Guerra das Estrelas a.k.a Ordem dos Enfermeiros, sendo a Enfª MAS o Lord Sith... ehe

Apenas uma pequena analogia...

Vamos ser todos destruidos!

"Que a força esteja connosco"!!!
 
Caro Doutor Enfermeiro chegou ao nosso conhecimento uma informação que penso que deve ser do conhecimento de todos os Enfermeiros!

A informação é referente à progressão nas carreiras da Função publica deixamos mais informação no Cogitare.

Abraço e bom fim de semana.
 
Concordo totalmente consigo.
O que eu não consigo compreender é como é possível que os nossos colegas não percebam isto e tenham reeleito a mesma bastonária...
 
Caríssimo Rui, agradeço o contributo e a passagem pelo blog.
Em resposta à sua questão: penso que sim. Penso que em Portugal existem Enfermeiros suficientes.

Antes de mais repare que muitos deles existem, mas não estão a trabalhar, pelo que, se estivessem, engrossariam ainda mais as fileiras de Enfermeiros.
PortugaL não pode almejar um rácio como o aclamado "rácio médio da OCDE" - não temos organização, estruturas, competências, e um sistema virado para a Enfermagem que requeira tantos Enfermeiros.

Além disso, note que a própria OCDE refere no seu relatório que a tendência futura é a diminuição do rácio Enfermeiro/Médico, por razões que aponta no mesmo (cirurgias pouco invasivas, planos anestésicos evoluídos, tratamentos ambulatórios, etc. - os argumentos não são meus, são da OCDE).

Note, mais Enfermeiros não significa qualidade. Bons Enfermeiros, no "sítio" certo com competências adequadas, isso sim, significa qualidade. Um exemplo:
A Aústria ficou classificada em 1º lugar e a Irlanda em 16º. Agora reparem que a Irlanda tem o mais alto rácio de Enfermeiros do mundo (mais de 15/mil habitantes) e a 2ª mais alta relação entre Enfermeiro/Médico (tem 5,5 vezes mais Enfermeiros do que Médicos)!

A Aústria tem um rácio ligeiramente superior à metade da Irlanda e uma relação Enfermeiro/Médico de 2.6 (notem quem em 1990 tinha 3,2, portanto decresceu!) Apesar de tudo o sistema de saúde da Austria é globalmente melhor do que o da Irlanda, apesar de todos os rácios serem inferiores. Todos estes indicadores têm como fonte a OCDE.
Note bem: Nos rácios da OCDE são incluídos auxiliares de Emfermagem o que sobrestima as contas. A OCDE avisa para o facto:

"Practising nurses are defined as the number of actively practising nurses employed in all public and private settings, including self-employed nurses. The data should include both fully qualified nurses (with post-secondary education in nursing) and vocational/associate/auxiliary/practical nurses, with a lower level of nursing skills but usually also registered or licensed. Midwives, nursing assistants without nursing qualifications, and nurses working in administration should in theory be excluded. However, about half of OECD countries include midwives in their figures and a number include non-practising nurses (resulting in an OVERESTIMATION)"


Temos de pensar também neste assunto sob o ponto de vista da prórpia classe. Precisamos de mais Enfermeiros. Como sabe, o excesso banaliza os profissionais, tornando-os frequentes e pouco valorizados. Nos países cujo rácio de Enfermeiros é elevado, são precisamente aqueles onde os Enfermeiros têm uma visibilidade social fraca, são mal remunerados (sempre abaixo do trabalhador médio desqualificado) e encarados como auxiliares e não como profissionais de igual autonomia em relação às restantes classes da saúde. O ensino de Enfermagem nesses países é um ensino técnico, pouco prestigiado e reconhecido.
Por outro lado, e como o mundo não é apenas o SNS, os Enfermeiros ficam à mercê da exploração privada, que, como sabe, explora-os de uma forma pouco ética, gratutitamente ou então com valores ridículos não compatíveis com a função dos Enfermeiros.

Resta-nos ser ponderados e gerir os nossos recursos. A mim parece-me que a posta nos cuidados de saude primári, evitariam a recorrência aos secundários e como tal não seria necessário amis Enfermeiros - muitos deles poderiam enveredar pela carreira preventida dos CSP.
Além disso, note que os Enfermeiros desempenham muitíssimas tarefas e funções não designadas e não vocacionadas para os Enfermeiros (muitas pertencem a AAM's, administrativos, etc...), logo se excluísse da sua rotina essas tarefas, veria que o tempo disponível de Enfermagem aumentaria para a realização de tarefas exclusivas dos Enfermeiros.
Depois, há quye reflectrir acerca dos actuais comptências dos Enfermeiros. Não estaão desactualizadas e muitas delas desfazadas do actual grau académico?

Acho que, colega, nem a nós próprios nos valorizamos. Um dia, quando chegar à altura de fazer o devido balanço, veremos que somos demasiados, que não podemos seguir rácios populistas se queremos ser uma classe forte, com valor, reconhecimento e prestígio. Urge dar ênfase à qualidade em detrimento da quantidade. Não acha?
 
Infelizmente a enfermagem, caminha a passos largos para a exaustão, os enfermeiros só se revoltão offline, não acredito que as centenas de enfermeiros que diariamente visitão o blog, tenhão votado pela mudança de uma ordem que continua a envenenar a enfermagem, que permite, que milhares de enfermeiros sejão humilhados pelas instituições de saúde, prometendo um chorodo ordenado de zero euros em troca de uma miragem de um emprego nos próximos 100 anos. Onde estão os enfermeiros que diariamente escrevem neste blog?
Será que são, os 25% dos enfermeiros que votarão nas últimas eleições ou serão os restantes 75% que se acobardarão e não votarão, preferindo continuar a utilizar o blog para demonstrar a sua revolta. Só sei que eu votei.

Já que a revolta não é possível na rua peço ao doutor enfermeiro para lançar um repto a todos aqueles que se sentem lesados pela ordem que temos: vamos deixar de pagar as cotas, será que a ordem nos vai processar a todos, seria interessante ver 60 mil enfermeiros processados e impedidos de exercer a sua profissão.
Pensei, e não coloquem nos sindicatos o poder de decisão, pois estes andão mais preocupados em ver qual é aquele que decreta mais greves ou simplesmente a ver quem pode sacar mais dinheiro (lembrem-se que existem sindicalistas nomeadamente no sep que ganhão ordenados ( sem exercer) de enfermeiros + tudo aquilo que é considerado despesas( os políticos que se cuidem pois chegou a concorrência).
Perguntem o que têm feito, nada e nós continuamos a pagar.
Conclusão a culpa é nossa.
Para terminar a nossa bastonária deu numa semana, mais entrevistas do que nos 4 anos precedentes, só que ao contrário do ministro da saúde não foi mudada.
 
Uma correcta maneira de equacionar a realidade da Enfermagem Portuguesa:

« Resta-nos ser ponderados e gerir os nossos recursos. A mim parece-me que a posta nos cuidados de saude primári, evitariam a recorrência aos secundários e como tal não seria necessário amis Enfermeiros - muitos deles poderiam enveredar pela carreira preventida dos CSP.
Além disso, note que os Enfermeiros desempenham muitíssimas tarefas e funções não designadas e não vocacionadas para os Enfermeiros (muitas pertencem a AAM's, administrativos, etc...), logo se excluísse da sua rotina essas tarefas, veria que o tempo disponível de Enfermagem aumentaria para a realização de tarefas exclusivas dos Enfermeiros.
Depois, há quye reflectrir acerca dos actuais comptências dos Enfermeiros. Não estaão desactualizadas e muitas delas desfazadas do actual grau académico? »

Caro Doutorenfermeiro, são precisos muitos anos de vivências em Emfermagem para se pensar desta forma.


Obviamente que, desta vez, assino por baixo.


Teixeirinha
 
Caro colega
Sabe bem que nesta matéria (e em muitas outras) estou absolutamente de acordo com o que há muito vem a afirmar. Este é um grave problema que os enfermeiros têm na actualidade e que dificilmente irão ultrapassar nos próximos anos.
Mas, como reparou, na tomada de posse para um novo mandato da Ordem o discurso mantem exactamente as mesmas características do recente passado. Tenho a impressão que nem as vírgulas mudaram.
O que é muitíssimo grave e problemático. Sabemos ambos que os problemas de enfermagem se vão agravar nos próximos anos. Os líderes são agora os mesmos e será lógico que prossigam o mesmo caminho de sempre. E a razão é simples e ninguém quer falar dela: é uma questão política. A estratégia que está a ser utilizada é política. Muitos afirmam que a Ordem não deve ser politizada. Como se isso fosse possível.
E muitos (embora o pensem) continuam com medo de o afirmar mas a nossa Ordem é obviamente muito politizada. Todas as Ordens profissionais o são. E a nossa não é excepção. Só não o vê quem não quer ver.
Julgo por isso poder afirmar que eu e o colega e muitos outros sabemos que essencialmente por este motivo - político -, a Enfermagem portuguesa irá passar nos próximos anos o deserto dado que a política instituída não se enquadra na realidade da sociedade em que vivemos. Não é por acaso que por vezes parece estarmos a falar para o boneco.
Daí não me surpreender as afirmações absurdas de muitos dos actuais responsáveis da Ordem dos Enfermeiros, como estas que nos refere.
Por fim, basta pensarmos todos nas questões a que se refere no final deste post para ficarmos muito, mas mesmo muito preocupados.
Como dizem rapazes famosos, há muito que os ouço falar mas a verdade é que não os vejo a fazer nada.
Só os ouço e vejo quando sentem que são alvo de críticas injustas e aparecem a querer repor essas mesmas injustiças de que dizem ser alvo. Como se muitos tivessem acima da possibilidade de serem criticados.
 
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