sexta-feira, maio 09, 2008

O "mundo académico" da Enfermagem está frágil e radicalmente psicossocial: mudança urgente precisa-se!


Já imensos colegas me abordaram, preocupados, relativamente a este assunto - uma autêntica endemia. Arrisco-me a falar sobre ele, mesmo sabendo que este blog também frequentado por inúmeros não-Enfermeiros.

Nos anos mais recentes (e não só), a grande maioria dos académicos e da produção de trabalhos de investigação, versa apenas sobre uma das múltiplas dimensões com que a Enfermagem está relacionada: o âmbito psicossocial! Mas, aparentemente, tem havido constatações que este enigma viral está também a deixar a sua marca nas escolas. O plano de estudos do Curso Superior de Enfermagem está a adoecer, vítima de um enviesamento tendencioso no ensino. Não será menos do que o "Cuidar" para o exercício profissional dos Enfermeiros, a farmacologia, a patologia, a microbiologia, a bioquímica, entre outras...
Para tristeza da classe, verifica-se que a maior parte dos alunos e profissionais recém-formados (assim como alguns Enfermeiros mais "velhos", é verdade!) têm conhecimentos científicos frágeis e pouco especializados em várias vertentes do saber. Quando questionados, a resposta é unânime: "a escola só fala em cuidar, cuidar, cuidar, cuidar e dedica pouco tempo a outras coisas".

Não menosprezando (ou minorarando) a importância do "Cuidar" na Enfermagem, penso que este radicalismo psicossocial (numa tentativa não muito sensata de demarcação do modelo biomédico) não é benéfico para a profissão. Existem outras estratégias e quer se queira, quer não, o conhecimento biomédico-farmacológico é inerente/indissociável à Enfermagem (e as novas exigências assim o ditam!). Em grande parte é o que os empregadores esperam de nós! Não só, mas também!
(O próprio Infarmed dispõe de fichas de notificação de RAM para Enfermeiros, o que pressupõe que as autoridades reconheçam os Enfermeiros como profissionais altamente habilitados em farmacologia (por ex. e falando neste caso em particular), ou não fossem os profissionais de Enfermagem os responsáveis pela preparação/administração/avaliação/vigilância no âmbito farmacológico)
É que quando um Enfermeiro que tem dúvidas relativamente à localização do cúbito, não sabe o que é uma agranulocitose ou não percebe nada de farmacologia... meus amigos, desculpem-me a frontalidade mas, alguma coisa anda podre.

É constrangedor quando numa situação de urgência, um médico pede "adenosina" ou um "lanoxin ev" e o Enfermeiro não sabe o que é... ou quando pedem, permanentemente, para traduzir nomenclaturas comerciais em DCI's (ou vice-versa), começo a deixar de ter fé...
(a terminologia DCI é relativamente comum entre profissionais, enquanto que no interface Enfermeiro/utente é mais usada a comercial, logo, pressupõe que um bom profissional conheça ambas - as próprias circulares normativas/informativas do Infarmed usam, como é obvio, a nomenclatura comercial)
Hoje apanharam-me mal disposto. Quando alguém, informalmente, me perguntou: "se leucopenia era aumento ou diminuição dos leucócitos" (denota falta de conhecimento da terminologia médica).... a "casa" veio abaixo...
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P.s. - Estupendo, foi há uns anos atrás, ouvir o Enf. Luís Batalha (hoje, professor na EsenfC - Coimbra; tese de doutoramento "Dor em pediatria: a sensibilização dos profissionais de saúde como contributo na melhoria dos cuidados") dissertar acerca da "dor" - ele era conhecimento científico exímio, ele era intervenção psicossocial, ele era perspectiva holística do ser humano.... enfim, bons profissionais são de referir. Já que se fala de Coimbra, não podia deixar de referir o Enf. Jorge Paulo Leitão (hoje, Enf-Director do CHC), pelo domínio assombroso da cardiologia/emergência e do ser humano multi-dimensional...
E como estes, poderia fazer uma lista por esse Portugal fora...

Comments:
Um enfermeiro nunca percebeu de farmacologia.
Um enfermeiro nunca percebeu de patologia.
Um enfermeiro perebeu sim do cuidar.
Não têm formação propedêutica suficiente para entender ciência.
 
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A partir deste momento, os comentários ficam sujeitos a moderação....
 
Boa noite antes de mais gostaria de dizer que leio o seu blog atentamente. Sou aluno de enfermagem do 3ºano e acho que o seu trabalho crítico é essencial na nossa sociedade.Só tenho pena é que existam inúmeros blogs de criticismo e muito pouco activismo por parte dos "enfermeiros". Como deve saber os alunos de enfermagem, encontram-se numa situação bastante desconfortável uma vez que vêem cada vez mais o seu futuro assombrado e com menos esperança.Todos nós alunos pensamos cada vez mais em ir para o estrangeiro, em tirar mini-cursos, workshops..tudo e mais alguma coisa para tentarmos entrar no mercado de trabalho, o saber cuidar "apenas" nunca chegou para ser enfermeiro, mas aos olhos dos administradores hospitalares cada vez tem menos valor o cuidar e sim a base cientifica, ora nem 8 nem 80... Pelo rumo que estamos a seguir teremos mesmo os enfermeiros tarefeiros e os pensadores e perde-se a visão biopsicosociocultural e espirutual do doente. Há muito para repensar no futuro de enfermagem, mas parece que nimguem começa porlado nenhum e tudo anda na mesma. Já agora felizmente eu "aluno" sei o que é agranulocitose: redução de leucócitos granulócitos, Adenosina é utilizada para reversão de taquiarritmias com QRS estreito.......etc Eu sou aluno de uma Universidade Privada á qual muitos dão descrédito, Universidade Fernando Pessoa. Pois acho que o plano curricular da Universidade que frequento está muito bem estruturado tendo em conta a base do cuidar assim como da cientifica. Quantos enfermeiros sabem interpretar um ECG e as suas alterações? Ora bem, nós sabemos... espero que sigam este exemplo entre outros mais... Saudações Académicas
 
Muitos professores de enfermagem sabem bem menos que muitos alunos que lá chegam (alguns com médias elevadíssimas do secundário). Os "ditos" professores inventam umas trivialidades tipo lavagem cerebral e se os alunos chatearem muito chumbam...
Secalhar não devia dizer esta verdade...
 
Enquanto forem enfermeiros a ensinar enfermeiros isto não anda pa frente.
 
"Enquanto forem enfermeiros a ensinar enfermeiros isto não anda pa frente."

Não concordo. Tmos é que ter bons enfermeiros na docÊncia. De resto, até acho muito importante serem enfermeiros a leccionar....
 
Toda a enfermagem precisa de ser melhor orientada, as escolas como elo fundamental nesta cadeia também necessitam de um acerto, pois não têm visão e estratégia para participar nas tendências, mudanças e nas oportunidades da profissão. Como tenho dito as escolas não dão a formação necessária para compreendermos a pessoa no seu todo. Parece contraditório, mas se não temos formação exaustiva em farmacologia, patologia, bioquímica, etc, como podemos perceber todo o processo de saúde ou doença que o utente atravessa? As escolas são também são elo na engrenagem da exploração da enfermagem, vejam-se os atropelos à qualidade do ensino, a negociata das especialidades… O pior é que quase todos os enfermeiros vivem bem com isso. Sem determinação não vamos sair de onde viemos parar.
Caro Marco, respondeu prontamente ou foi pesquisar? Ninguém sabe tudo, nenhum profissional, qualquer que seja, a atitude de pesquisar e saber sempre mais é essencial. Sabemos que existem enfermeiros de excelência, muitos dotados de conhecimento gigantesco, exemplos a tomar e a seguir. Todos os enfermeiros deviam ter uma especialização por áreas, de modo a saberem tudo sobre esse campo, como por exemplo em emergência, que trabalhariam em urgência, cuidados intensivos, inem, pré-hospitalar, etc...
 
Um pequeno preciosismo... mas porque deverá o enfermeiro ter de saber a designação comercial do medicamento? É algum crime não saber isso?
Mas como dizia, um pequeno preciosismo...

Como falar em cuidar se não existir a base científica para o fazer? Aliás nao vejo mal em usar a palavra cuidar, temos é de perceber o que ela significa. Se lhe damos contornos filosóficos ou se adaptamos para a realidade.

Como cuidar de um doente diabético senão sabemos para que serve a insulina, por ex... Não está em causa o cuidar... Mas sim como cuidar senão se souber o que fazer?

Em relação a estes últimos comentários: A verdade é esta... Porque deve ser um farmacêutico a leccionar farmacologia em detrimento de um enfermeiro?

Porque deve ser um médico a leccionar anatomia ao invés de um enfermeiro?

Porque deve ser um psicólogo a leccionar psicossociologia em vez de um enfermeiro?

Porque deve ser um nutricionista a leccionar Nutrição a um enfermeiro?

Na realidade nem deve nem deveria. Se o objctivo é ser enfermeiro e saber as matérias leccionadas, partimos do princípio que um enfermeiro formado deve dominar isso. Idealmente o enfermeiro formado saberá tudo o que deve saber sobre cada uma dessas áreas, para um competente exercício da sua profissão. Então... se sabe o que é realmente necessário para o exercicio também sabe o necessário para ensinar. Portanto deveriam ser eles a fazer isso...

Estou a ter um raciocínio lúcido?
 
Os teóricos da Enfermagem que me corrijam mas saber de farmacologia, patologia ou anatomia não nos aproxima mais do modelo biomédico do que se não soubéssemos absolutamente nada. Não é a visão holística uma forma mais completa de abordagem, o que pressupõe que inclui todos os aspectos positivos da visão biomédica mais os aspectos positivos do holismo?

Aliás... O que é ter uma visão biopsicossocial? Não é ter também presente a visão biológica? Então todos esses conhecimentos são necessários ou então qualquer dia corremos o risco de estar a dissertar diante de uma PCR se estamos a cuidar ou a tratar, se aquilo é enfermagem ou outra coisa qualquer, ou a discutir a natureza do corte epistemológico e não sabermos o que é uma seringa.

Sabermos mais de Biologia e tudo relacionado com ela, parece causar algum temor de nos transformarmos em versões diferentes de médicos. Eu sinceramente acho que nos habilita para melhor Cuidar... Não nos torna menos enfermeiros, torna-nos Melhores Enfermeiros...

A enfermagem é o que quisermos fazer dela e é bom que seja algo de vantajoso para os enfermeiros e os seus objectos de acção, os utentes.

Para saber melhor cuidar ( e sinceramente cuidar realmente é uma palavra, um conceito que deve ser usado) é preciso saber fazer também e para isso é preciso saber saber e o resto da lenga lenga, mas que não estando na ponta da língua, deve pelo menos estar incutida, a sua verdadeira significância e não uma interpretação superficial e desfasada da realidade.

Contudo... e não menosprezando as responsabilidades das escolas na formação dos seus alunos... O que é que os estudantes de enfermagem querem de si? O que fizeram os enfermeiros que os orientaram nos seus ensinos clínicos/estágios para melhorar o panorama? Não terá chegado a altura de assumirmos o problema que está no fundo enraízado em todos nós? Ou a culpa é só de uns? Quando nos tornamos num "deles" será que nos reconhecemos como tal?

Não é como diz o outro... para nos tratarmos não temos primeiro de reconhecer que estamos doentes?


Um pequeno preciosismo... Mas porque deve um enfermeiro saber a designação comercial de um determinado medicamento? É isso que se exige? Ou não é imperativa uma certa isenção? É difícil pronunciar Digoxina em vez de Lanoxin?

Ou terá isto a ver com Tupper ware, kispos, jeeps, polaroids ou coisas semelhantes? Chamar Lanoxin já é isso?



http://saudeeportugal.blogspot.com
 
Caro doutorenfermeiro, não li o comentário que "censurou" mas não desça ao nível de quem não tem mais que fazer e não tem formaçao sequer para aqui vir comentar.


O tempo da censura já la vai e vindo de si como enfermeiro deve primar pela liberdade de expressão, ainda que esta por vezes nos magoe.

Quanto ao referido... absolutamente verdade.

Nas escolas fala-se do banho... bla bla... higiene... bla bla... fazer cama... bla bla...

Resumindo cuidar!

E o resto?

Pegando numas simples analises sanguíneas, e questionando alguns alunos o que significa uma hemoglobina baixa... ou o que significa uma PCR aumentada...

Ficam a olhar com uma cara de quem nunca ouviu falar, nem tenciona saber, como se não fosse da sua competência saber interpretar resultados (e se calhar não é, mas muitas vezes somos nós que temos que chamar à atenção dos Dr's que doente ta com uma infecção e que talvez fosse melhor receitar um medicamento, ou outros dados do género, porque eles muitas das vezes ou não ligam ou estão demasiado tempo ausentes do processo do doente...)


A enfermagem está mesmo a precisar de uma reformulação, mas com a ordem assim não vamos lá... aos sindicatos não compete essa função, e a quem poderia ainda ter uma palavra a dizer (todos nos) estamos demasiado ocupados em empregos duplos ou simplesmente a desejar o mal para o vizinho... à espera que não venha o seu a caminho... o pior é que por este andar vai chegar a todos!
 
Já agora quanto ao facto de serem Enf a ensinar Enf... nem poderia ser de outra forma...

Com excepção da área da anatomo-fisiologia e das patologias médicas em que ai ninguém melhor que um médico.

O resto deve ser por Enf's...

Agora não pode ser como em muitas escolas, em que os professores são Enf quase recem cursados sem experiência clínica!
 
Colga Dr. enf.
este é um dos melhores artigos dos últmos tempos. fabulosamente escrito e que traduz EXACTAMENTE a realidade que vai acontecendo...
Espero que quem de direito o leia atentamente, para ver se a profissão cresce!!
 
Caro desassosego, felizmente respondi prontamente, mas sou daquelas pessoas que quando não sei admito meu erro e procuro pesquisar e saber mais sobre o assunto, por muito que saibamos, há muito mais par saber e como disse, nuca sabemos tudo.
 
"Falo da minha realidade recente, o problema não é a escola falar só do cuidar, cuidar, cuidar, mas sim, despejar a informação sem ter a preocupação de perceber as dificuldades de cada aluno,pois se antes as turmas eram de 20, 30 alunos hoje são de 80, 90, 100 alunos... Quantidade é difícil combinar com qualidade..."

retirado do forum enfermagem
 
Li este tópico a dois dias e a primeira impressão que tive foi, ou digo muita coisa e crítico tudo e todos, ou calo-me. Depois do magistral ter aberto as hostilidades é a minha vez de incendiar um pouco isto.

Será apenas e só a culpa das escolas?
Será que todos nós não temos culpa no dia-a-dia com os nossos actos?

O texto do DoutorEnfermeiro que relata uma situação, ou melhor, várias que se têm passado com ele levanta alguns aspectos. O primeiro que me apraz frisar é a falta de conhecimento dos enfermeiros que recebem os alunos nos campos de ensino clínico/estágio acerca do que estes pretendem e quais os objectivos que os estudantes têm de atingir. Como sabem, estão definidas pela Ordem dos Enfermeiros 96 Competências dos Enfermeiros de Cuidados Gerais. Um aluno quando se desloca para um campo de ensino clínico, isto é, momento de aprendizagem, associação de conhecimentos teóricos à prática clínica e ainda aprendizagem em contexto clínico terá de adquirir determinadas competências. O grande problema desta situação, é quantos dos enfermeiros orientadores recebem a informação de que competências que o estudante vai adquirir? Dos que recebem, quantos transmitem aos seus colegas, quais são essas competências? Será correcto aceitar orientar um aluno em ensino clínico sem conhecer o que é que este vai para lá fazer? Culpa aqui repartida: escolas/enfermeiro.

O segundo aspecto que gostaria de salientar é a desorganização e bipolarização das escolas. Se algumas apenas incidem em aspectos do cuidar, outras apenas incidem em aspectos das ciências biomédicas. Tal como referiu o magistral estratega, para se melhor cuidar é necessário ter conhecimento de todas as ciências de base que servem de apoio à ciência de enfermagem. Não me lembro onde foi que vi isto, mas era um diagrama que continha no centro a enfermagem em forma de balão e depois vários balões com as várias ciências em torno da enfermagem, este primeiro balão era o maior, mas todos os outros o interceptavam. A minha análise deste, é que a enfermagem é a ciência que deve ser o principal foco de atenção do enfermeiro, contudo não pode nunca se dissociar de todas as outras ciências que vão ajudar a sustentar e a potenciar a disciplina da enfermagem. Ou seja, todas as ciências que servem de apoio à enfermagem devem servir de base a esta, contudo o enfermeiro não necessita de as dominar totalmente, precisa sim de saber tudo o que destas é essencial para a sua prática. Neste aspecto faz-me dizer uma expressão velha conhecida que é adaptada a ciência que se queira falar e que tem por base a UNESCO (no documento dos quatro pilares da educação). Quem só sabe de enfermagem, nem de enfermagem sabe.

O terceiro aspecto que gostava de reflectir é acerca do nome comercial de um medicamento. Eu recuso-me a transcrever uma medicação com um nome comercial qualquer que ele seja, existe uma circular da DGS (desculpem o primor de não a citar) que OBRIGA o médico a usar DCI e que como tal, obriga todos os outros profissionais a utilizar esta terminologia. Não é por se estar a combater as viagens e o poder das farmacêuticas. Trata-se apenas de uma forma de podermos utilizar o nosso cérebro para em vez de sabermos todos os nomes comerciais do mesmo principio activo, poder usa-lo para saber mais princípios activos, suas causas, efeitos adversos, tempos de acção. Penso que são lógicas as vantagens da DCI, usar uma linguagem clara, concisa e que todos saibam o que é. Acho que é para isso que existem as linguagens classificadas. Não obstante em situações de urgência achar que se deve agir rapidamente, mas penso que os enfermeiros têm função de charme na sensibilização da utilização desta linguagem. Basta o médico, administre uma formula de lasix, ao que o enfermeiro responde: já esta preparada e administrada 2 c.c. de furosemida E.V.. Se queremos ser tratados como licenciados, temos de nos assumir sempre como tal, isto é, conhecedores das situações e utilizando e dominando aqui para o qual estudamos quatro anos e que nos certifica que somos habilitados a falar, pensar e agir criticamente acerca do conhecimento de enfermagem. Costumo dizer que à farmacologia dou o tempo que considero o adequado, nem faço dela o supra sumo da enfermagem, nem faço dela o parente pobre. Falei em relação a esta ciência de apoio como poderia falar em relação a qualquer uma.

Outro aspecto do qual não me posso excluir de comentar foi o post do Magistral Estratega que enumera algumas questões lógicas e de reflexão e que poderão desmontar o artigo inicial. Se de acordo com todas as organizações internacionais de enfermagem e com as nacionais também, o alvo dos nossos cuidados são a pessoa, família e comunidade, estas têm de ser vistas como detentoras do processo central da nossa actuação. Como tal, a pessoa é um ser biopsicossocial, excluir algumas destas vertentes da nossa atenção estará obviamente a enviesar o foco de atenção e assim sendo, estaremos não a prestar cuidados holísticos mas cuidados parciais, o que nos leva novamente ao paradigma biomédico (em que cada um trata de uma parte).

Tenho de concordam com a afirmação de que a enfermagem é o que quisermos fazer dela, já por isso existem teorias de enfermagem, porque enfermeiros, como qualquer um de nós, dedicaram a sua vida e o seu trabalho a produzir conhecimento acerca do que eles achavam ser o trabalho de enfermagem, a sua sustentação e base teórica, fez com estas fossem ou não aceites. Cada um poderá definir aquilo que acredita ser o caminho para a enfermagem e se o sustentar com uma base cientifica e com um estudo de base próprio, poderá levar a que isso seja aceite pela maioria ou não. Se o conseguir estamos perante uma nova teoria de enfermagem e que poderá substituir ou mesmo complementar as anteriores.

O magistral aponta ainda para a responsabilidade do aluno, que tem um papel fundamental no seu processo de aprendizagem. Eu aprendo o que quero e cada um de nós é assim. Não o neguem, já por isso quando estudavam, tinham áreas que gostavam mais e outras que gostavam menos e dedicavam-se a essas áreas mais ou menos. As escolas e os enfermeiros têm um papel fundamental no aliciar o aluno para aquilo que é relevante para que este dedique o seu estudo. Por exemplo, eu sou orientador de um aluno duma determinada escola que só incide em aspectos técnicos, se eu só der como alvo de aprendizagem a competência técnica, o aluno vai encaminhar toda a sua aprendizagem para este tipo de conhecimento, descuidando todas as outras competências. Porém, se eu incidir em aspectos técnicos, científicos, de conhecimento e de juízo diagnóstico poderei potenciar um aluno que durante a formação escolar apenas teve incidência técnica para uma abordagem mais global e mais acertada da enfermagem. Ou seja, também aí nós temos um papel fundamental de potenciar e abrir horizontes ao conhecimento do estudante.

A quem conseguiu ler isto até ao fim penso que explanará a minha opinião acerca do estado da arte (como dizia uma professora minha). Ou seja, não só as escolas por si as culpadas, mas todos os envolvidos no processo de aprendizagem e de formação. E como diz outro conhecido meu, se não intervirmos nós, alguém inferior irá intervir e serão esses que irão mandar. Por isso reflictam e actuem no dia-a-dia, pois se não o fizerem, outros vão fazê-lo por vocês e poderá nem sempre ser o mais adequado.

[url]http://www.ocantosocial.blogspot.com [/url]
 
Uma reflexão deliciosa. Muito bem doutor enf.!
 
Penso que o MDP virá resolver muitos destes problemas. O que falta é a especialização de todos os enfermeiros.

É normal que eu, enfermeiro em CSP, não domine linguagem, técnicas, conceitos usados em cuidados intensivos... O mesmo se aplica a colocarem um enfermeiros com 20 anos de experiência em cuidados intensivos a trabalhar em CSP.

O que existe é um conjunto de competências transversais a todos os enfermeiros... Que deve ser assegurada na formação académica e que deveria ser certificada periodicamente.

Sem dúvida que a experiência e dedicação constrói o profissional... Mas a qualidade tem que ser assegurada... Mas a prestação de cuidados de qualidade tem que ser paga... E estarmos a ser roubados mensalmente não ajuda nada à motivação de trabalhar cada vez melhor...

Se não passarmos a receber com técnicos superiores em breve considero retirar-me da enfermagem e arranjar outra ocupação.
 
"(O próprio Infarmed dispõe de impressos de notificação de RAM para Enfermeiros, o que pressupõe que as autoridades reconheçam os Enfermeiros como profissionais altamente habilitados em farmacologia (por ex. e falando neste caso em particular), ou não fossem os profissionais de Enfermagem os responsáveis pela preparação/administração/avaliação/vigilância no âmbito farmacológico)"

Já começa a exagerar, na minha experiencia os enfermeiros são os que menos percebem de farmacologia.
 
Todos kerem ganahr como tecnicos superiores e para isso só nos restam duas ALTERNATIVAS: desistimos,ou, lutamos!!!

Se nada for feito, para se alargarem as competencias dos enfermeiros, se nada for feitos nos bastidores poliíticos ( e aqui a Ordem tem um papel importante, bem como os Docentes), se os Sindicatos e todos os Enfermeiros não se mobilizarem ( nem k seja parar o sistema 1mês!!!- Que se lixe um salário de miséria e trocos, que não chegam a 6 euros/H em muitos casos), então perdemos e enfermagem será tarefeira para sempre......

Lutemos na altura das negociações: que se fechem serviços com a nossa greve. Façamos uma greve total e coloquemos o estado no Parlamento Europeu.

Basta de sermos os explorados!
 
Estimados,
De facto, o prezado colega doutorenfermeiro apresentou (bem ao seu estilo) uma problemática que também considero importante, diria mesmo, fundamental: a formação dos estudantes de enfermagem.
Realmente é com alguma preocupação/aflição que constato a falta de conhecimentos básicos com que os estudantes estagiários de enfermagem se apresentam em alguns campos de estágio, nomeadamente B.O. ,cuidados intensivos e urgências e mesmo nas enfermarias.
Realmente algo vai mal, quando a "arte" de fazer uma cama está acima dos conhecimentos que servem de base à compreensão dos riscos associados a uma cama mal feita (em doentes acamados, claro está). E eu ainda fui daqueles que tive umas "horas" de teórico-práticas para "integrar" a plenitude da substância que é fazer uma cama. É pá, já me basta ter de fazer a minha...Andamos a brincar?
Quanto aos medicamentos, também considero que fundamental é conhecer os princípios activos. Quando as farmacêuticas começarem a pagar umas viagens... aí logo se vê.

Também eu sou da opinião que TODOS os enfermeiros TÊM de ser especialistas. Essa de enfermeiro generalista não me convence. Mas não nos moldes actuais, naturalmente.
 
DoutorEnfermeiro:

Mais uma vez, ao mais alto nível.
Um retrato preciso, rigoroso, de um dos problemas mais importantes da Enfermagem actual.
Parabéns.
 
As farmacêuticas só pagam viagens a médicos especialistas e farmacêuticos de farmácia.

São muitos anos como delegado e ainda não me dirigi a enfermeiros, muito menos "oferecer" viagens.
 
Acho que a OE devia dar AINDA mais importância a este blog. Aqui discute-se temas pertinentes para a profissão. Mais um post ao mais alto nível!
É por isso que este é o maior blogue de enfermagem em portugal!
 
"Tal era o dominio que nos cursos feitos pelo INEM (Coimbra) em Suporte Avançado de Vida para médicos e enfermeiros, na componente de electrofisiologia cardíaca, desfibrilhação, pacemakers, identificação de ritmos, etc, etc, quando estava disponivel e era formador, era sempre o Jorge Leitão que dava as cartas e brilhava. Mas como diz o Doutor Enfermeiro, a fazer-se uma lista por este Portugal fora, seria enorme..."

retirado do Forum enfermagem
 
Tenho o prazer de conhecer os dois colegas citados pelo prezado doutorenfermeiro. Um, tive o prazer de o ter como professor (Prof. Doutor Luís Batalha). Na verdade, foi dos poucos professores que me deixou "marcas" extremamente positivas, enquanto docente e essencialmente como pessoa. Um grande bem haja para ele.
 
"(O próprio Infarmed dispõe de impressos de notificação de RAM para Enfermeiros, o que pressupõe que as autoridades reconheçam os Enfermeiros como profissionais altamente habilitados em farmacologia (por ex. e falando neste caso em particular), ou não fossem os profissionais de Enfermagem os responsáveis pela preparação/administração/avaliação/vigilância no âmbito farmacológico)"

Poupe-nos ao ridículo. Que os enfermeiros estejam habilitados para reconhecer RAMs é uma coisa, mas daí ao INFARMED considerar os enfermeiros como altamente habilitados em farmacologia vai uma distância de anos-luz. Tente ao menos ser realista, "down-to-Earth", ou de tão ridículas as suas ideias só se poderão rir de si. Sabe quantos enfermeiros há no INFARMED, por exemplo? Z-E-R-O. Assim se vê o quão especialistas são. Get real.
 
"Sabe quantos enfermeiros há no INFARMED, por exemplo?"

É uma questão que está relacionada com a lei.
 
"E agora com o excesso de enfermeiros, os vencimentos são tão baixos que não é possível ir a formações ou a congressos. Não há dinheiro.

Ora, parabéns à Ordem, que fala tanto de qualidade e que parece querer que com o ordenado mínimo que muitos Enfermeiros auferem estes tirem dois ou três doutoramentos.
A Ordem pense neste silogismo...sem dinheiro não há formação e sem formação não há qualidade. A Ordem diz que a razão da sua existência é a qualidade. Conclusão: neste momento a qualidade é impossível, logo a Ordem não é precisa!"

Retirado do forum enfermagem
 
Gostava apenas de acrescentar algo ao que se disse aqui:
Sou aluno de enfermagem em Coimbra.
Existem cadeiras no meu curso que estão totalmente ultrapassadas em no seu conteudo, por exemplo Pedagogia.Por outro lado para mim é de dificil compreensão um curso de enfermagem não possuir SBV e mesmo SAV, algo que cursos como cardiopneumologia já possuiem.
Quero com isto dizer que seria de todo necessário uma restruturação dos cursos de Enfermagem para adaptá-los á realidade actual.
No que diz respeito aos comentários sobre o Enf Leitão e concretamente ao facto de ser um bom profissional no Centro de formação do INEM em Coimbra,(algo com o qual concordo)mas não posso deixar de recordar que o Centro de Formação de coimbra do INEM possui um grupo de EXCELENTES profissionais, quer como enfermeiros, quer como formadores, por exemplo: Enf. Rui Marcelino, Ebf. Ulisses,Enfª Isabel Santos, Enf. Coelho, Enf. Rui Miguel, Enf. Pedro Carvalho, Enf. Severino, Enf. Soares, Enf. Paulo Varela, enf. Nelas entre muitos outros. E são bons porque para alem de bons profissionais, são um exemplo de trabalho em equipa.
 
"""Sabe quantos enfermeiros há no INFARMED, por exemplo?"

É uma questão que está relacionada com a lei."

É a questão de não terem competencias para tal.

O blog é verdadeiramente interessante, mas por vezes cai no ridiculo com este tipo de afirmações que até empiricamente se reconhecem como falsas,o que a meu ver, põe em risco todo o seu conteudo.
 
""""Sabe quantos enfermeiros há no INFARMED, por exemplo?"

É a questão de não terem competencias para tal.

O blog é verdadeiramente interessante, mas por vezes cai no ridiculo com este tipo de afirmações que até empiricamente se reconhecem como falsas,o que a meu ver, põe em risco todo o seu conteudo."

Bom, os Enfermeiros são os profissionais responsáveis pela preparação/administração/vigilância de fármacos.
Que eu ainda saiba, os farmacêuticos (quem são a maioria do Infarmed) não têm nenhuma vantagem legal em relação aos Enfermeiros. Estão no mesmo patamar. Não podem receitar e dependem do médico para o efeito. Podem aconselhar fármacos de venda livre - também o Enfermeiro.

Repare que apesar dos farmacêuticos terem uma formação mais rigorosa, neste âmbito, do que os médicos, não têm as mesmas competência - nem de perto nem de longe.
Tal como vem escrito na Revista Sábado desta semana, os farmacêuticos só brilham no momento de decifrar a letra do médico (pode ir ver, está lá escrito).

Mais acrescento qu, como deve saber, existem muitos países onde os farmacêuticos prescrevem (por ex. o Reino Unido), mas repare que só conquistaram essa possibilidade porque foram a reboque das lutas dos Enfermeiros - este reconhecimento e explicação foi dada pela revista "Mundo Farmacêutico"

Como é que ambos podem prescrever? Aprenda mais um pouco:

"Para que um enfermeiro ou farmacêutico possa tornar-se um prescritor, é, pois, necessária uma formação pós-graduada, composta por duas etapas – uma de preparação teórica na área em que vai prescrever, com duração de 25 dias para o farmacêutico ou 26 para o enfermeiro; e um período prático (sob a supervisão de um médico) de 12 dias. Essas pós-graduações são regulamentadas por organismos/instituições considerados idóneos e reconhecidos pelo sistema nacional de saúde, que no caso concreto dos farmacêuticos é o Royal Pharmaceutical Society of Great Britain."

Por fim, para ver porque é que o mundo inteiro está a conceder a prescrição aos Enfermeiros leia (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672007000200003&lng=en&nrm=iso).
Sabe, é que os estudos mais recentes confirmam os Enfermeiros como óptimos prescritores.
 
"Tal como vem escrito na Revista Sábado desta semana, os farmacêuticos só brilham no momento de decifrar a letra do médico (pode ir ver, está lá escrito)."

lol... por acaso também li.
 
Em inglaterra os enfermeiros até podem prescrever mais fármacos do que os farmacêuticos. é só ver o formulário de ambos. o dos enfermeiros é mais extenso.
 
Eu acho que se enganou no curso. Francamente. E, como tal, agora quer transformar a enfermagem naquilo que não é suposto a enfermagem ser. Quer atribuir-lhe competências académicas, técnicas e científicas que não lhe pertencem , que não é suposto pertencerem, nem nunca irão pertencer. Meu caro, se queria ser "cientista", devia ter optado por outro curso mais vocacionado para tal. Mas se se sente assim tão mal na sua pele (salta à vista que se sente), ainda vai muitíssimo a tempo de a trocar. Caso contrário, continue a lançar as suas enormidades neste "blogue", tão reveladoras das suas próprias frustrações (é que não se pode mesmo dizer que este blogue não é a sua imagem). Para finalizar: os meus sinceros pêsames.
 
Quanto ao INFARMED, é simplesmente a autoridade do medicamento, e claro, é composto maioritariamente por farmacêuticos com toda a lógica. Sendo que se passam por lá muitas coisas fora do âmbito de qualquer médico ou farmacêutico que nem vale a pena discutir.


Meu amigo, não podia-me estar mais a lixar para os farmacêuticos, até porque 50% da classe nem tem actuação perto do doente (vulgo, farmácia), lido com estes e médicos sendo que ambos me fazem ganhar bastante dinheiro. E quanto a essa revista, ultimamente aproxima-se mais de revistas cor-de-rosa sem qualquer credibilidade. A prescrição aqui esta ao cabo do médico porque é assim que aqui se faz (infelizmente). No caso do Canadá por exemplo, o farmacêutico é responsável pela prescrição após o diagnóstico do médico. E não se esqueça que as farmácias preenchem o vazio cada vez maior entre o SNS e as verdadeiras necessidades do doente, sendo que muitas das vezes cai em situações chamadas "ilegais" com a dispensa de certos fármacos, que ajudam em muito o utente (e quem sabe até a farmácia, mas como todos, nenhum de nós vive da saúde).
Outra coisa, você fala, fala, fala que os enfermeiros estrangeiros são todos uns grandes prescritores, de facto até o podem ser. Mas esquece-se que a formação lá fora não é de todo idêntica ao do enfermeiro português. Aqui passam 2 anos (sendo que os meses de estágio quase que perfazem dois anos) a debater fracas socio-psicologias (como você mesmo o admite) com pouca ou nenhuma aplicabilidade prática só para encher um currículo já de si muito pobre. Do ensino pós-graduado em enfermagem, nem comento.

Mas quem sabe, com a subida da quota dos genéricos pode ser que o dito paracetamol já possa ser prescrito, de facto, a mim não me faria diferença nenhuma.
 
Para além do mais, meu caro, os enfermeiros portugueses são vistos com desconfiança pela generalidade da população. Digamos que ser enfermeiro está ao alcance de qualquer um (o que não falta aí são escolas de enfermagem). Digamos que a formação politécnica que recebem é, muitas vezes, dúbia em certas instituições, não havendo sequer uniformidade nas matérias ministradas de curso para curso. Se nem sequer há uniformidade entre matérias leccionadas de curso para curso como é que pode haver qualidade e credibilidade? Não há. Mais acrescento, que os enfermeiros nem têm sequer idoneidade para leccionar matérias fora do espectro da enfermagem propriamente dita, de base científica, como sejam anatomia, fisiologia, bioquímica e farmacologia. Sabe porquê? Porque não têm, nem é suposto terem, formação que lhes permita avançar no estudo académico dessas disciplinas, ao ponto de lhes conferir idoneidade para leccionar. Se julga que isso vai acontecer, um dia, só porque aqui o diz no seu antro na Web, pode tirar o "cavalinho da chuva" ou, então, esperar sentado até ao dia de S. Nunca. Mas volto a dar-lhe o mesmo conselho: mude de curso, dispa a pele que tanto o deixa frustrado, ainda vai a tempo.
 
Quem olhar até pensa que a farmácia é o supra-sumo dos cursos...
Ohe vê-se num balcão de uma farmácia, onde nem se vê diferença entre um ajudante e um farmacêutico, o que nos leva a concluir que ter curso ou não ter é o mesmo. No hospital a tarefa complexa que têm é distribuir a unidose para facilitar a vida aos enfermeiros.

No Infarmed há muitos farmacêuticos? Pudera! Olhe, a ordem dos farmacêuticos também não tem enfermeiros.

Admiro como gosto de colocar o termo "médico" ao lado do "farmacêutico" num tentativa frustarda de colocar tudo no mesmo saco. Não tente.
Veja as notícias em qualquer imprensa do mundo falam sempre em médicos e enfermeiros...


"No caso do Canadá por exemplo, o farmacêutico é responsável pela prescrição após o diagnóstico do médico"

Os enfermeiros têm mais poder prescritivo do que os farmaceuticos no canadá.

Mas ainda estou para compreender pq é que, se os enfermeiros são assim tão insignificantes, os senhores passam a vida cá metidos...
 
Acorde para a vida e veja a tendência da enfermagem no estrangeiro:
- passar para o ensino universitário;
- prescrever;
- assumir um papel dominante na saúde;


Os farmacêuticos nem mandam neles próprios nos hospitais. Não há farmaceutico-director, o vosso superior é médico!!
 
Por acaso caem bastante em descrédito com este tipo de informações.

Como já ai referi mas trabalho com médicos, farmacêuticos, Eng's e mais raramente enfermeiros, tudo em ambiente hospitalar.

Ao comentário de cima: O director dos serviços farmacêuticos, farmácia hospitalar, farmácia comunitária, industria farmacêutica (a direcção técnica geral e de departamentos incluindo regulamentar) tem de ser um farmacêutico especialista em cada dessas valências (excepto comunitária). Nas análises clínicas a maioria dos labs privados com que contacto são de direcção e propriedade farmacêutica especialista em análises.

Em relação a Inglaterra, os de comunitária não têm os mesmos direitos de prescrição que os de hospitalar, e estes últimos prescrevem TUDO com excepção de substâncias controladas, o mesmo se passa no Canadá. Mais uma vez, descrédito e desconhecimento.

Sinceramente nunca julguei ver este tipo de inveja/conflito vertical. Deus me livre que vocês prescrevam, acho que a maioria dos meus colegas iriam ver-se gregos para informar-vos seja do que for. A não ser claro, com o advento da reformulação completa dos vossos currículos (assumindo que é esse o problema).

Honestamente que sim, sempre pensei que a classe de enfermagem fosse mais coerente e informada. Já percebo (o que é lamentável mas é vossa culpa inteiramente) porque é que a maioria do público vos considera uns meros auxiliares e - desculpem-me a expressão - limpa-cús.

Acho que a vossa bastonária reflecte bem o povo que representa, e ou a vossa atitute/competências mudam, ou por um mecanismo simples de selecção natural a profissão sofre uma autolise brutal.
 
Já agora, para o ridículo comentário que diz que se facilita o trabalho para os enfermeiros:
Quem os coloca em caixinhas para os senhores que mal sabem ler são AAM com a supervisão de nós técnicos de farmácia. Se não o fosse - a julgar pela vossa falta de sabedoria - os erros na administração triplicavam.
Os serviços são compostos por diversos departamentos em que trabalham nós técnicos e farmacêuticos (com algumas excepções onde trabalham apenas farmacêuticos) como: farmacotécnica, controle de qualidade, ensaios clínicos, farmacocinética clínica, rádio-farmacologia, ensino etc.
De facto assim se fala em bom enfermeirês com total desconhecimento do mundo e do que os rodeia.

Não censure isto sr enf, até porque se a profissão quer crescer à semelhança dos TDT os conhecimentos nestas valências têm de ser aprofundados.

PS: No outro dia ligaram para o serviço de informação onde uma enfermeira perguntou em pânico o que podia fazer visto que administrou um fármaco IM por IV. Entretanto o chefe de divisão foi acompanhado pelo do departamento e verificaram que a formula era em solução, imagine-se se fosse uma suspensão…

Se não fossem aqui os técnicos com as caixinhas para vos safar eu temia pela saúde dos doentes.

Já agora, sr das 2:08, o director dos SF é farmacêutico, deve estar a confundir SF com CFT.
 
Então o director dos Serviços Farmacêuticos hospitalares é o quê? Astrounauta? Não, é Farmacêutico especialista em Farmácia Hospitalar. Pense ou informe-se antes de dizer disparates.
 
Mas ainda estou para compreender pq é que, se os enfermeiros são assim tão insignificantes, os senhores passam a vida cá metidos...

está tudo dito! não gostam... falam mal... mas quem tem cu tem medo! se andam aqui é porque acham que realmente a enfermagem é uma profissão interessante! e tomem cuidado não vá um dia destes um enfermeiro mandar em vocês!

a mim por exemplo não e vêm a ler blogs médicos! alem de que esconderem-se por trás do nick anónimo so demonstra o vosso carácter!
 
Estou a acabar o 2ºano de enfermagem, tenho vindo a ler o seu blog ultimamente e sim, isto vai de mal a pior. Eu como estudante, penso várias vezes no futuro da profissão, e de como a cada dia que passa nos são retiradas competências (talvez porque nem sequer estão bem definidas)...
Considero que o plano curricular da escola que frequento até está relativamente actualizado...
Desde o meu primeiro dia de aulas que me dizem que o "cuidar" é a base da enfermagem, mas sem esquecer o resto.
Aprendi a interpretar ECG, aprendi SBV e irei ter SAV, tive farmacologia, patologia e agora que estou em estágio o meu professor "obriga-nos" a relacionarmos tudo com tudo, patologia, analises, terapeutica etc... não fazemos nada "porque sim" mas sabendo sempre o "porquê".
Na minha opinião, pelo menos da minha experiência pessoal, o ensino de enfermagem não é assim tao mau...
 
Sou Jovem e tal ( logo devo ser inconsequente, pouco esclarecido e não ter uma visão global dos acontecimentos), mas se há coisa que a minha juventude não me permite vislumbrar é como podem existir mil e um cursos de enfermagem no país, todos diferentes uns dos outros?

Não tendo a OE poder de regulação a este nível, não pode ter o poder de uma “acreditação” mesmo que não tenha qualquer poder vinculativo?

- Não deve ser também a OE a predefinir o que exige, em termos de conhecimentos, de um enfermeiro ( o MDP não chegará numa fase tardia para resolver este problema e acabará por ser punitivo para quem menos culpa teria, o estudante?) e desse modo “definir” um plano de estudos comum a todas as escolas, com os conteúdos a serem abordados e só depois deixar espaço a “divagações” dessas mesmas escolas, que poderiam querer abordar temáticas mais… divergentes?

- Porque não aborda a OE publicamente este problema, claramente e sem rodeios, dizendo que não se está a formar com qualidade porque existem demasiados alunos, as escolas e instituições de saúde não têm condições para isso e isso fará com que a saúde dos portugueses esteja em perigo ( estes alarmismos aparentemente dão resultados noutras classes, porque não segui-los quando nos dêem jeito, afinal de contas não podemos ter sempre uma perspectiva tão …aprovável)? O desemprego diminuiria e os enfermeiros na globalidade achariam boa ideia…
 
(...) "Se não passarmos a receber com técnicos superiores em breve considero retirar-me da enfermagem e arranjar outra ocupação." (...)

Caro colega, já estou a caminho!!!
Já só me faltam 2 anos!!! ... assim como muitos colegas.

Não sei que curso está melhor que este, mas sinceramente, apoio com muita força todos os que mudam!
Como se costuma dizer, "quem muda, Deus ajuda!"
 
Caro marco veríssimo... era bom que pusesse a fonte... caso contrário está a plagiar...


assinado:
O autor dessas palavras...lol
 
Aos técnicos de DT que têm aparecido por aqui:

Deviam ter vergonha de referir esses episódios de trocas de medicamentos, é que caso os enfermeiros não fossem tão facilitistas em situações de denúncia de erros de outras classes profissionais, inclusive as vossas, metade de vocês estariam despedidos.

Poderiam dizer então: Então que denunciem... Talvez o devêssemos fazer quando por exemplo lá vem a caixinha de clonidina cheia de clonixina.

Poderia dizer: Nem ler sabem, vai mas é já "gramar" com um processo... Deêm graças a _ _ _ _ que temos pouco tempo para este género de coisas e nos preocupemos mais é em dar os medicamentos a tempo aos 15 doentes ao nosso encargo.
É que ao contrário de vossemecês nós temos a maior parte do tempo ocupada... a trabalhar... mas para bem dos doentes, talvez nós enfermeiros, devêssemos deixar de facilitar nisto... é que isto de ser bonzinho tem de acabar...

O que ainda não percebi é esta coisa de querer comparar as profissões, uma vez que elas não são comparáveis em importância, são d-i-f-e-r-e-n-t-e-s, diferentes. Não podemos comparar um kg com um L, um metro com um ampere, um ohm com um segundo...

A todos vós, os que dizem que as profissões são todas dispensáveis, experimentem precisar duma delas... não falarão tanto... cambada de inconscientes...

Àqueles que apelidam os enfermeiros de, e ainda estou a usar um eufemismo, ignorantes, convido-os a realmente fazerem um teste de conhecimentos gerais em saúde, e depois em específico sobre cada área, no final comparem os resultados... provavelmente deixarão de falar, mudos será a palavra certa para empregar o estado em que ficarão...
 
Caros senhores farmacêuticos:

Não é só o curso de enfermagem que vai mal...
O vosso curso é um mar de teoria inútil...
E não me venham com tretas...sou amigo de farmacêuticos, tenho familiares farmacêuticos e sei do que falo!
1º ano pós curso - Lembram-se de toda a teoria, alguns ainda são barras na ´bioquímica;
2º ano - esqueceram-se de metade:
3º ano - sobram resíduos e só sabem aquilo que fazem diariamente: fazer contas de somar e distribuir remédios pelas gavetas e arrumar nos armários.
 
Magistral estratega, ninguem falou em denunciar pois todos cometemos erros. Aquele idiota do seu colega é que na tentativa de se fazer sentir superior aos farmaceuticos mandou a boquinha de que as funções deles passam por preparar a medicação a fim de vos facilitar a vida, noto o tom depreciativo. Ora isso afecta-me a mim, porque não são eles que o fazem, somos nós (TDT - técnicos de farmácia) e os AAM, e os senhores esquecem-se da importancia que é faze-lo, e faze-lo bem.

E acho piada ridicularizarem tais funções tendo em conta que os senhores têm telhados de vidro, ou esqueceram-se de que têm algumas funções menos nobres e digamos que mais sujas?

"Àqueles que apelidam os enfermeiros de, e ainda estou a usar um eufemismo, ignorantes, convido-os a realmente fazerem um teste de conhecimentos gerais em saúde, e depois em específico sobre cada área, no final comparem os resultados... provavelmente deixarão de falar, mudos será a palavra certa para empregar o estado em que ficarão..."

Não sei onde o senhor têm andado ultimamente, mas garanto-lhe que os enfermeiros ficavam no fundo da lista de resultados. Não sei se por culpa das escolas, ou do que for, mas há muito muito enfermeiro ignorante por ai (também os há técnicos, mas olha que temos uma amplitude de visão mais alargada).
 
Para o anónimo da 1:24:

Eu “gostava” de trocar as minhas funções consigo durante um dia!!
Gostava de o ver (nas funções mais sujas) e nas menos sujas...
Gostaria de o ver a começar o dia com uma pessoa internada numa unidade de cuidados intensivos com linhas arteriais e venosas, com PVC, ventilado, drenagem torácica, algaliado e com lavagem vesical e também gástrica, mas com alimentação entérica contínua se conseguisse tolerar, politraumatizado com fractura da C4 e D7 (gostaria de ver a sua habilidade na higiene genital), com múltiplas seringas infusoras e bombas e também múltiplos esquemas terapêuticos e com incompatibilidades diversas, várias diluições, monitorização contínua de ECG, SatO2, etc..., com uma úlcera de pressão grau IV na região sacro coccígea, "atafulhado" de secreções, febril e com suspeita de SAMR+ na expectoração, na urina e no exsudado da úlcera...e mais e mais ... Todos os meus colegas que trabalham no hospital conhecem doentes deste tipo ou com ligeiras variantes e não falei das solicitações de familiares, de possíveis emergências (imagine uma paragem cardíaca do doente), do stress próprio da situação...
Pela sua maneira de pensar eu percebo que lhe faça confusão essa sua função com os "remédios"...mas acredite que é mais mais fácil lidar com comprimidos do que com pessoas!!
Se pudesse aceitar a minha proposta de trocar um dia de trabalho comigo eu não aceitava (obrigação ética de proteger a vida dos meus doentes), mas eu podia substitui-lo bem, sabe, é que, já tenho uns anitos disto (estou quase na reforma) e o que o "senhor" faz, fi-lo eu durante anos e anos como enfermeiro - era uma das minhas funções mais simples...
 
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
 
Anónimo da 1:24 : O que perde em identificar-se? Pelo menos um nickname...

Quanto àquilo que considera menos nobre... olhe que saber fazer isso bem feito exige mais conhecimentos do que pensa... No dia em que precisar que lhe prestem esses cuidados "menos nobres" e mais sujos vai perceber o que lhe estou a dizer ( a diferença entre ser um enfermeiro e um não enfermeiro).

A sua argumentação acaba aqui no ponto em que isto é ter telhados de vidro... não, isto é precisamente o que nos pode diferenciar de todos os outros, o prestar cuidados que mais ninguém consegue fazê-lo, e é nestas tarefas menos nobres ou noutras mais complexas ( e repare que estou a usar a "nobreza" com um tom sarcástico).

Depreendo que seja um jovem pois alguém mais maduro nunca poderia tecer este tipo de comentário acerca disto.

Quanto à ignorância dos enfermeiros, eu explico-lhe porque tem essa percepção: Julga erroneamente, por ouvir este tipo de discurso que isto são situações perfeitamente normais, se fossem não lhes daríamos tanto enfoque.
Daí que deva compreender o quanto estas situações nos impelem a falar sobre elas, só deveria levá-lo a meditar sobre a falta de consciência crítica de que implicitamente acusa a classe.

Reafirmo-lhe novamente, experimente fazer aquilo de que lhe falei e ficará maravilhado... Até porque há coisas que são interessantes... se algum dia tiver de fazer uma formação conjuntamente com um enfermeiro e essa formação for avaliada, vai entender o que lhe digo aqui...

Se imaginasse o que é preciso saber para poder exercer bem a profissão...
 
Caro anónimo das 11:48 AM

Vá dizer isso aos professores doutores com formação base farmacêutica investigadores e encarregues de equipas de investigação na industria e faculdades.

Sou casada com um especialista há uns anos em analises e para sua informação o diagnostico laboratorial em bioquímica clinica é a sua função mais elementar. Um grande amigo de familia é director técnico de um laboratório nacional e durnate muitos anos trabalhou em ensaios clínicos a nível hospitalar. Não me venha dizer que a formação é inutil.

Muitos dos colegas dele "acomodaram-se" à farmacia pois é muito, muito, muito bem paga. Não seja ignorante, é reconhecido mundialmente a importancia do farmacêutico comunitário não fosse bolonha incluir à semelhança de varios cursos o mestrado integrado assim como a obrigatoriedade de possuir um "PharmD" nos EUA.

Falar do que desconhecemos só nos faz cair mais em descrédito. Se queremos ser vistos de maneira diferente por profissionais de saúde e público temos de saber do que falamos.

Quanto ao tópico em questão:
De facto noto que o pouco tempo teórico que temos de formação (tendo em conta a predominancia dos estagios no ensino) é dedicada em algumas escolas a temas completamente ridiculos. Da minha formação publica posso garantir que tive uma sólida formação a nivel de conhecimentos básicos ditos cientificos. O ano passado tive dois alunos a meu encargo aqui no HSM, sendo os três de escolas públicas bem reconhecidas no meio (gulbenkien e franciso gentil) agora ESEL. Os alunos mostraram os típicos erros que eu e os meus colegas cometiam e o mesmo nivel de conhecimento. Se de facto as escolas privadas estão a arrastar o ensino de enfermagem para o esgoto isto tem de ser encarado com frontalidade e sem medos de o admitir perante a comunicação social. Pode ser que à semelhança de outros paises, os enfermeiros tomem iniciativa e sejam os primeiros a mudar alguma coisa. É que não é só o ensino da enfermagem que está mal, os nossos amigos TDT também são cada vez mais e piores especialmente os vindos de escolas privadas. Acho que neste pais há uma massificação brutal do ensino superior (principalmente politécnico) e especialmente as escolas e institutos politécnicos privados são responsaveis por todo este facilitismo.
Somos o país com o maior número de cursos da europa, somos o país com um número de desempregados licenciados brutal... Há que começar por algum lado, e podia-se começar por fechar estas escolINHAS (porque não há outro nome) de enfermagem que parasitam esse país fora.
 
"Muitos dos colegas dele "acomodaram-se" à farmacia pois é muito, muito, muito bem paga. "

O meu pai é farmacêutico num farmácia e ao fim de quase 23 anos ganha 1400 euros limpos.
 
Até eu sei que está a mentir o salário minimo em farmácia de "caloiro" ronda os 1300 brutos. Não invente.
São este tipo de coisas que nos rebaixam, continuem!
 
LOLOL o seu pai é é! Deve ser!
Ó amiga/o eu sou TDT - farmácia e tiro poucos centimos menos que isso e tenho bem menos anos que o seu pai.
Estes blogs têm uma credibilidade. O farmacêutico adjunto da minha farmácia não sei qunato ganha, mas não é pouco a julgar pelo carrão.
Por vezes caem no ridiculo como já disse mais acima, não o façam, não abona nada a vosso favor.
 
ANÓNIMO DAS 8:01 Tenho um pouco de dificuldade em acreditar nisso: Mande-me a declaração de IRS se faz favor...
 
Não compreendo bem a dificuldade so senhores enfermeiros.
O meu pai é farmacêutico numa farmácia de uma cidade média portuguesa do sul, ganha cerca de2050 euros ílíquidos, o que ao fim dos mês dá pouco menos de 1450 euros. obrigaram-me a telefonar para confirmar o valor.
Acho que não tenho de provar o que quer que seja: basta ver a tabela da ANF.
Mas quem sou eu? Um simples técnico de som numa rádio da capital... só isso... não se enervem, pensei que o meu testemunho tivesse valor.
Acho que a sociedade tem uma necessidade em mostrar uma vida que não têm, ou um salário que não ganha. Não tenho problemas em dizer que hango 650 euros.
 
Enfim, tanto desdém que por aqui vai. Não queria estar a falar em salários, mas já que a conversa consegue descer tão baixo (provavelmente fruto da formação pessoal dos que aqui vêm comentar, cuja preocupação pessoal principal na vida é saber quem ganha mais que quem - deve ser sindicalismo de esquerda a mais) devo dizer que conheço bastantes farmacêuticos de farmácia comunitária (não confundir com técnicos de farmácia, com curso ou sem curso, ou com ajudantes de farmácia) e não conheço nenhum sem um grande "carrão" à porta ou com algum tipo de excentricidade financeira (propriedades no Brasil, Dubai, viagens de férias para o estrangeiro todos os anos, colecção de carros e motas, etc.). Também conheço alguns enfermeiros, novos e mais velhos, mas o que vejo nesses é que oscilam entre o desemprego e e o subemprego/salários precários (lá se vão safando os da função pública, que ainda são os que têm um vencimento razoável).
 
Tanto tens tanto vales; se nada tens nada vales, diz o Zé.
 
Essa de dizer que um enfermeiro não percebe de farmacologia, não percebe de patologia; não percebe de propedêutica para entender a ciencia, é mesmo de cabo-de-esquadra.
Faz-me lembrar aquelas experiências que foram feitas na faculdade de medicina de Coimbra para enfermeiros e médicos de Centros de Saúde. Estava-se na disciplina de estatística e havia lá uma enfermeira do CS de Ovar que tirou a melhor nota. Uns máedicos do seu CS tiraram a pior.
Teve de fugir da área porque as invejas eram tantas que não mais conseguiria chefiar o dito CS.
Ainda esses cientistas e lentes da ciência não tinham visto nos livros do ensino secundário a Florence Nightingale como uma das percursoras da estitística. Se fossem lá ver já sabiam onde foi buscar a génese do jeito para lidar com a ciência a nossa colega.
Tempos houve em que os Enfermeiros não tinham legitimidade para a "investiguêutica" ou propedêutica segundo diz um dr. ali acima, por isso não entendiam a ciência. Quem aproveitava da investigação que faziam eram os outros. Houve uma que até se doutorou num estudo sobre os malefícios de certo queijo de cabra, que as enfermeiras fizeram.
Eram bachareis e, por isso investigavam para os mandantes.
Hoje são licenciadas como os outros e têm tanto jeito ou mais para a tal investiguêutica ou propedêutica (será que sabem o que este palavrão quer significar às postas da epistemologia?), como os cientistas que entram aqui.
Se se identificassem até lhes mandávamos um dos 5 volumes que o Armando de Castro escreveu sobre o conhecimento sensível e o inteligível, sobre senso comum e conhecimento científico.
Podíamos, em alternativa pô-los a estudar a essência da dialética do Platão. Mas como ele exige que saibam matemática para o entenderem e como a matemática, nesta terra anda pod baixo, o Platão pode não os deixar entrar na sua academia.
Bem, já basta de abordagem à ciencia do provocador. Ouviu dizer aquela coisa a um prof dos seus e pensa que descobriu o mundo que é só seu. Para além dele não há mais ciência. Vem carimbada pela inspecção das actividades económicas com reserva de propriedade.
Então segundo o "inteligente" (não confundir com o corneteiro das touradas), os enfermeiros não sabem mesmo o que é ciência.
Nem precisam. Basta-lhes serem humanos e errarem quando não conseguem suplantar a sua tendência para o erro. Mas é no erro que se redescobrem como cientistas. Karl Poper, na sua l´
ogica do conhecimento científico desenvolve a tese de que uma teoria para ser verdadeira tem de ser falsificável.
Um enfermeiro para ser cientista tem de começar por ser humano; errar; finalmente sublimar, corrigindo os seus erros.
Ó propedêutico, queres subir até aos píncaros da ciencia da enfermagem ou queres que te mande o escadote para subires?
 
Doutor enfermeiro, os meus parabens por este blog, pela coerência das palavras,pelo empenho e tempo disponibilizado para lutar por aquela que eu considero, a melhor de todas as profissões do mundo. Fico muito feliz por tê-lo encontrado, tem sido uma mais valia para mim enquanto estudante de enfermagem. porque assim não me sinto tão só, como tantas vezes em que falo mas ninguem percebe (ou nao quer perceber porque é mais fácil aderir ao conformismo)e há uns risinhos de lado a querer dizer que me preocupo com "mariquices". chamem-me sonhadora se quiserem, mas alguem tem de acreditar nisto. E EU ACREDITO NA ENFERMAGEM.
ingenuidade? Nao, é amor à camisola.
 
Olá Doutor Enfermeiro e leitores deste blog.
É com tristeza que leio este post, porque de facto relata a realidade que todos os anos passa pelo local onde trabalho (falo dos estagiários de enfermgem). A tendencia já vem dos meu tempos de escola, à mais de uma década, mas acentua-se cada ano que passa... e o problema não está só no curso base, algumas especialidades (pelo menos as que conheço, e em particular a que frequento) são muito de "filosofia barata" e muito pouco de utilidade prática.
 
p
 
BOA NOITE

Acho piada aos meus caros futuros colegas de trabalho ( pq sou aluno) criticarem situaçoes de estagio dos alunos que estao ali mesmo a aprender pelos erros, sim pk ninguem nasce ensinado..Entao voçes doutores enfermeiros patrimonio pedagogico, modelos de ensino- aprendizagem, querem agora descarregar nos alunos, naqueles que vao seguir a vossa luta, naqueles que se voçes falharem vao dar continuidade á defesa dos direitos merecidos da classe???Porquê esse discurso de rebaixamento sempre a dar "mal tempo" Estou de acordo em todas as frentes da luta apoio, idealizo, acredito, mas tar agora a apontar canhoes para aqueles que mais precisam de voçes é que nao!!! Como dizia o meu velho " Alto e para o baile!!!" Como dizia o super enfermeiro dos açores (que tenho mta consideraçao) "o padeiro continua a por pao na fornalha", mas a verdade é que o pao precisa de tar nas mesinhas dos portugueses todas a manhas e o croissant sai caro. Queria aproveitar tb para iluminar algumas mentes que devem de estar certamente exaustas e acredito que sim...It´s a full time job! Em relaçao as escolas privadas\publicas á nodoas em todo o lado, a tendencia é dizer mal das privadas pq o zé povinho é assim mesmo gosta de dizer mal dakilo que desconheçe por completo, até digo que pela logica se alguem paga é para ter qualidade e nao o contrario.Peço por favor que sejam modelos de ensino ás jovens mentes que por erro ou nao la estao no curso de enfermagem e á vossa frente, sejam os pilares do verdadeiro conheçimento, ajudem na passagem do contexto ideal para o contexto real, nao sejam barreiras ao conheçimento sejam elevadores por excelencia da humildade e de espirito de luta, para os tempos que se avizinham que nao vao ser faceis, precisasmos estar todos unidos, alunos e enfermeiros podemos nao mudar o mundo, mas seguramente podemos abana-lo. (bonito nao foi?) se tiver erros "azar" tirando a pontuaçao que fui preguiçoso mas tb vejam as horas do post. abraços
 
Sintetizando:

A ignorância é feia, e fica muito mal aos drs. ou pseudo-drs. que aqui vêem tentar desunir e desanimar estes tão nobres profissionais que são os Enf.s;

Os Enf.s não sabem investigar? No meu mestrado, são os enfermeiros que tiram melhores notas, comparando com TDT's, professores, biólogos, etc...

A sua base (que poderia ser mais aprofundada se obviamente nos fosse concedido mais 1,2,3 anos de estudo como outros profissionais que têm 3 ou 4 cadeiras por ano...) é suficiente, se pensarmos que o enfermeiro deverá estudar, actualizar-se e especializar-se continuamente na sua arte do cuidar.

Deixem-se de criticismos e rendam-se à evidência. Os enfermeiros produzem reais ganhos em saúde dos portugueses, inquestionável. Procurem colaborar, e se são profissionais da saúde, deveriam querer actuar em prol do utente, e não de guerrilhas pessoais e demonstradoras de um medo incontornável da nossa CRESCENTE AFIRMAÇÃO E RECONHECIMENTO! UM bem haja aos enfermeiros!
 
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