sábado, fevereiro 05, 2011

Numerus clausus cor-de-rosa...

"Portugal não precisa nem de mais faculdades de medicina, nem de aumentar os numerus clausus defende José Manuel Silva, o novo bastonário da Ordem dos Médicos" link

"Portugal importa médicos mas poderá reduzir número de faculdades" link

"Deve haver um planeamento a médio longo prazo e um equilíbrio entre a oferta e a necessidade de médicos. E essas necessidades futuras já estão supridas por excesso com os actuais números clausus, portanto não se justificam, em defesa dos doentes, nem mais faculdades nem a abertura ou o aumento continuado de números clausus, pelo contrário, ele deve, no futuro ser reduzido" link

Esta discussão tem a sua quota de importância para os Enfermeiros, uma vez que encontra paralelo no contexto da Enfermagem.

É um argumento recorrente afirmar que o ensino privado não reúne condições para o ensino na Medicina. De facto, há uma grande resistência corporativa à abertura de novos cursos de Ciências Médicas.
O cerne da questão não está, pois, em "condições", mas sim no fenómeno de defesa de interesses (económicos, status, etc) da classe.
Analisando transversalmente a realidade de outros países, percebemos que a Medicina não se tornou numa excepção, tal como se pretende em Portugal, no que diz respeito à gestão de cursos no chamado "ensino superior".

É uma premissa verdadeira que o sector privado, comummente, não dispõe de um capital de recursos humanos qualificados nem de uma estrutura abrangente, como é a estatal. Com frequência, o objectivo institucional da obtenção de lucros sobrepõem-se ao rigor formativo. Portanto, uma fatia significativa da minha opinião recusa o ensino privado. Existem 3 sectores da sociedade que, na minha perspectiva, não são "privatizáveis" - Saúde, Ensino e Justiça.

Ao contrário de tudo o que diz respeito à abertura de cursos de Medicina, na Enfermagem não existiu tal grau de preocupação e exigência. Não foram considerados e/ou cumpridos critérios qualitativos ou quantitativos.
Alunos a mais, locais de estágio (ensino clínico) a menos, Professores mal preparados, vocacionados para um espectro muito reduzido na esfera da Enfermagem, acentuando a sobreposição, insistente, de matéria leccionada.
A adaptação dos currículos dos cursos de Enfermagem às necessidades dos Professores tornou-se outro problema. Assiste-se a uma inflexibilidade (e intolerância) no que diz respeito à moldagem da respectiva matéria às necessidades do contexto da saúde, do desenvolvimento do curso ou mesmo da evolução científica.

A Enfermagem não se desenvolve no mesmo tecido onde os outros se expandemO défice inflaccionário decorre da carestia formativa de que uma porção consideravel de Professores padecem, parecendo recusar-se assentar o seu trabalho numa matriz científica. Curiosamente, é um sinal de doença que se estende, também, ao ensino público.

Recordo-me claramente de um Professor Coordenador de uma instituição pública (Enfermagem), doutorado, que aberrantemente, de forma doentia, rejeitava a evidência científica e centrava a sua mira profissional na homeopatia, florais de bach, aromaterapia, entre outras. Revisando - ainda que grosseiramente - a literatura científica, podemos concluir inequivocamente acerca da dimensão da eficácia destas intervenções "alternativas". Os Enfermeiros são independentes na sua prescrição? Também o leitores da Revista Maria, ilusões à parte por favor.

Dissecando, longitudinalmente, a evolução dos tempos, percebemos que tudo o que se desvia do padrão de progressão científico, é marginalizado para posterior morte - teoria da evolução natural. Todavia, existem, também, Escolas de Enfermagem meritórias.
Voltando ao início para terminar, se está na altura de encerrar insituições de ensino da Medicina, ou numerus clausus, urge também encerrar escolas e vagas no que saturado curso de Enfermagem, sem qualquer correspondência no mercado de trabalho. 
Mesmo executando um suposto encerramento já hoje, o efeito nurse-boom ainda perdurará por vários anos...







Comments:
A comparação da quantidade de mão de obra entre estes dois grupos profissionais só me parece ter sentido do lado de cá, naquilo que nos interessa como classe.

Do lado de lá, de quem paga, as coisas invertem-se: quantos MAIS enfermeiros houver, melhor pois diminui o valor atribuído ao seu trabalho; quanto MENOS médicos houver, melhor pois é largamente compensador o custo mais elevado que possa eventualmente ter a mão de obra (escassa, segundo alguns) em comparação com o aumento das despesas que a maior oferta de profissionais induziria. Não é negligenciável nesta discussão o poder que o médico tem sobre os recursos do sistema, nomeadamente na prescrição de medicamentos, tratamentos, exames, realização de cirurgias e outros tratamentos pelos quais se fazem cobrar bem. Nesta perspectiva não interessa aumentar o número de médicos pois aliado aos custos da sua formação está a despesa que estes profissionais têm o poder de gerar ao longo de muito tempo.

Seria ingénuo pensar que tudo o que é indicado pelo médico tem realmente fundamento e é absolutamente necessário; é mais lógico que se atente à procura induzida pela oferta, fenómeno que neste caso é particularmente crítico na medida em que há outras especificidades na relação entre o cidadão e o sistema/médico que de certo o potenciam como por exemplo assimetria na informação.

A comparação nestes termos não tem muito interesse. Haverá outras formas de tornar evidentes as desvantagens dos excessos na formação de enfermeiros a granel.

VV
 
A Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros e 18 associações de enfermagem reuniram-se esta quinta-feira num encontro inédito, alertando para o défice de enfermeiros em exercício e a deficiente articulação entre mercado de trabalho e oferta formativa.
http://www.publico.pt/Sociedade/ordem-e-18-associacoes-de-enfermagem-alertam-para-defice-de-enfermeiros-nos-equipamentos-de-saude_1478697
 
Perfeitamente de acordo com o Doutor Enfermeiro!
 
Confirmo cada palavra que aqui hoje está escrita.
 
Pois pois!!!

Tão é com medo de acabar mtos com duplos e triplos!!!!
 
Causa:

http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=42098

Efeito:

ARS N lança comunicado dois dias após a presença do enf GC em Braga, a garantir a permanência dos enf no CTFP.
 
Realmente não há médicos em n.º suficiente. Os pobres desgraçados trabalham em dois hospitais: um EPE e o outro parceria publico privado. 3 dias num e 40horas no outro semelhante.
 
anonimo das 5:32. ninguem faz duplo porque quer, o ordenado é que é tao baixo que temos que recorrer a eles.
 
Incrível. Até parece que fala do Brasil!!!!!
Quanta semelhança...
 
INTERNATO "DÁ" TRABALHO A 3 MIL ENFERMEIROS!
http://www.rcmpharma.com/news/11829/51/Internato-da-trabalho-a-3-mil-enfermeiros-por-ano.html
 
Será que agora vamos ter "Internos" de enfermagem com vencimento idêntico (ou quase...) aos enfermeiros com 10 - 15 - 20 anos de experiência que os vão supervisionar!

A ver vamos ...mais uma anedota do Ordem e Sindicatos!

Estamos bem entregues a estes estrategas ....

O que estavam à espera? Uma bela me*rd*

Que desmotivação ...

http://www.rcmpharma.com/news/11829/51/Internato-da-trabalho-a-3-mil-enfermeiros-por-ano.html
 
Exerço funções como enfermeiro há 14 anos. Nunca trabalhei em dois locais distintos em simultâneo. NÃO GOSTO QUE ME PAGUEM MENOS DO QUE QUEM PODE PAGA A EMPREGADAS DOMÉSTICAS! Não dou passos maiores que as minhas pernas, para depois não ter de justificar o injustificável... Não me vendo a qualquer preço. O meu preço é o de um profissional qualificado com licenciatura.
Exerço a profissão de enfermagem com DIGNIDADE!
 
Fds...

Será assim tão dificil ver o exemplo dos médicos???
 
Por favor párem já com a conversa dos valores de remuneração, dao-me nauseas e deixam-me irada. Foi por posições dessa ordem que hoje estamos como estamos e há dez anos atrás não se negociou a carreira. Por favor, informem-se ou calem-se. Juntemo-nos para lutar por salários dignos para profissionais com competencia e com a responsabilidade que nos está inerente, não nos copmaremos. Neste momento ainda temos enfermeiros com bacharelato que ganham muito mais do os licenciados e ninguem diz nada. Essa não é a questão principal.
Se as escolas não param de formar licenciados em enfermagem então OE tem de controlar o numero de atribuição de titulo profissional. Uma coisa ou outra. E os enfermeiros têm de estar motivados a participar nessa decisão q terá de ser de todos.
 
Caro DE,


O seu Amigo Germano não é um dos que contribui para esta saga das Escolas Privadas? Ele não aparece alegremente junto ao Reitor da UFP na revista da OE???

Não vai censurar este comentario pois não?
 
BOICOTE AOS INTERNATOS. MAIS TRABALHO E RESPONSABILIDADE PELO MESMO...SE NAO HOUVER QUEM SUPERVISIONE OU ORIENTE... NÃO HÁ NADA PARA NINGUEM... DEIXEM-SE DE TACHOS
 
concordo consigo DE.
Enquanto não há uma politica de recursos humanos em saude publicita-se nos carros de transporte de medicamentos:
"medicamentos.
Vá á Farmacia que isso passa.
Sorria estamos a caminho da sua Farmácia"
A saude publica está bem entregue.
 
O problema da remuneração na enfermagem é a existência de enormes injustiças e incoerências.

Para além de se poder premiar o desempenho profissional o normal é quem tem mais formação e mais experiência deve ganhar mais!!!

No reino da enfermagem um bacharelato vale o mesmo que um mestrado ... etc etc
 
DE pq não começas a ser imparcial a publicar os comentários de toda a gente???????
 
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